Ciência – Mundo Cientifico –
Astrônomos detectam planeta ‘órfão’ a
100 anos-luz
Por BBC Brasil
14 de novembro de 2012.
Astrônomos baseados no Havaí e
no Chile descobriram um planeta "órfão" vagando pelo espaço sem estar
ligado à órbita de um astro, a cem anos-luz de distância da Terra.
Os cientistas dizem que pesquisas
recentes têm demonstrado que esse tipo de planeta pode existir com muito mais
frequência no cosmos do que se pensava.
Eles também são conhecidos como planetas "interestelares" ou
planetas "nômades" e têm sido definidos como objetos de massa
planetária que foram expulsos dos seus sistemas ou nunca estiveram
gravitacionalmente ligados a nenhuma estrela.
Embora haja cada vez mais interesse dos astrônomos no assunto, exemplos
de planetas "órfãos" são difíceis de serem encontrados, o que torna a
recente descoberta mais importante.
O planeta, chamado de CFBDSIR2149-0403, é tema de um artigo que deve ser
publicado no periódico científico Astronomia e Astrofísica.
Mas até agora sabe-se muito pouco sobre a intrigante descoberta. Além de
estimar sua distância da Terra, considerada muito pequena, os cientistas
acreditam que o "órfão" seja relativamente "jovem", tendo
entre 50 e 120 milhões de anos.
Estima-se que ele tenha temperatura de 400ºC e massa entre quatro a sete
vezes a de Júpiter.
Intrigantes
Ainda que os astrônomos acreditem que os planetas "órfãos"
sejam mais comuns do que se pensava, as teorias em torno da origem deste tipo
de massa planetária que "vaga" pelo espaço ainda são intrigantes.
Acredita-se que eles possam se formar de duas maneiras: de forma
semelhante aos planetas que estão conectados a astros, surgindo a partir de um
disco de poeira cósmica e restos de massa, mas que, em vez de serem integrados
a um sistema (assim como a Terra é parte do Sistema Solar, gravitando em torno
do Sol), são expulsos da órbita de uma estrela.
A segunda explicação aponta que eles podem se formar como se fossem um
astro, mas nunca chegam a atingir a massa total de um astro normal.
De qualquer forma, eles acabam livres da atração gravitacional a uma
estrela, vagando livremente pelo cosmos, o que torna sua identificação muito
difícil.
Grupo
Uma equipe internacional organizou uma verdadeira "caçada" por
esse tipo de planeta usando o Telescópio Canadá-França no Havaí e o Very Large
Telescope (VLT), ou Telescópio Muito Grande, em tradução livre, localizado no
Chile. Encontraram apenas este exemplar.
"Esse objeto foi descoberto durante uma varredura que cobriu uma
área equivalente a mil vezes uma lua cheia", disse Etienne Artigau, da
Universidade de Montreal.
"Nós observamos centenas de milhões de estrelas e planetas, mas só
conseguimos encontrar um planeta 'órfão' em nossa vizinhança", acrescenta.
Mas algo que pode ser crucial é o fato de que o CFBDSIR2149-0403 parece
estar se movendo ao lado de um grupo de objetos celestiais itinerantes muito
semelhantes a ele, já classificado pelos cientistas como "Grupo itinerante
AB Doradus".
São cerca de 30 estrelas basicamente da mesma composição que podem ter
se formado na mesma época.
Este dado pode ajudar a esclarecer mais detalhes, mas a origem do
CFBDSIR2149-0403 continua intrigando as duas equipes: ele teria se formado a
partir do que seria uma estrela ou foi um planeta expulso de casa?
Philippe Delorme, do Instituto de Planetologia e Astrofísica de
Grenoble, na França, diz que caso a segunda teoria seja verídica, isso
implicaria na existência de muitos outros planetas semelhantes ao
recém-descoberto.
"Se este pequeno objeto é um planeta que foi expulso de seu sistema
nativo, ele sugere a ideia surpreendente de mundos órfãos, vagando pela
imensidão do espaço".
Em maio de 2011, em descoberta publicada na revista Nature,
outro grupo de astrônomos encontrou dez planetas de característica semelhante,
que não se conectavam a nenhum sistema solar, o que fez o grupo também
acreditar que pode se tratar de um fenômeno relativamente comum.
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