Ciência – Mundo Cientifico
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Cientistas 'encolhem' foto da 'Playboy'
para tamanho de fio de cabelo
Por BBC Brasil
16 de agosto
de 2012
Um grupo de cientistas
de Cingapura encolheu a página central de uma edição da revista Playboy até
o tamanho de um fio de cabelo humano, utilizando uma nova técnica de impressão
em cores.
Uma equipe da Agência de Ciência, Tecnologia e Pesquisa (A*STAR,
na sigla em inglês) imprimiu uma foto colorida da revista que mede somente 50
micrômetros (0.00005 metro) de um lado a outro.
Na publicação científica Nature Nanotechnology, os
cientistas afirmaram que o método usado para imprimir a foto pode produzir
imagens coloridas de até 10 mil pontos por cada 2,5 centímetros - 10 vezes mais
que uma impressora caseira.
Ao invés de usar tintas normais e impressão convencional, eles
produziram as cores usando nanopartículas de prata e ouro
"incrustadas" em uma superfície de silicone.
De acordo com eles, o método pode ser usado para imprimir marcas d'água
ou mensagens secretas para fins de segurança.
"Nossa estratégia de mapeamento de cores produz imagens que têm, ao
mesmo tempo, mudanças bruscas de cor e tênues variações de tom, suporta um
grande volume de impressões coloridas e pode ser útil para criar micro-imagens
para segurança", diz a pesquisa.
A foto usada na experiência é um corte do retrato de Lena Soderberg, uma
modelo suíça, que apareceu originalmente em uma edição de 1972 da Playboy.
Esta mesma imagem é comumente usada para testar novas técnicas de
impressão.
'Inteligente'
Chad Mirkin, professor de nanotecnologia da Universidade americana
Northwestern, que não está envolvido no estudo, diz que o resultado da pesquisa
de Cingapura está "chegando ao limite do que é possível imprimir em
cores".
A foto de Soderberg foi impressa em uma superfície minúscula de silicone
usando o método da litografia por feixe de elétrons.
"O feixe de elétrons é uma espécie de caneta com a qual desenhamos
os pontos que formam a figura no silicone", explicou à BBC Brasil o
pesquisador Joel Yang, um dos responsáveis pelo estudo.
O
aparelho, que costuma ser usado para a fabricação de circuitos integrados em
escala nanométrica, forma a figura com pequenos pontos de tamanhos diversos.
Em seguida, o pedaço de silicone foi banhado em uma camada de
metal. O depósito do metal dentro dos pontos criou "nanodiscos"
metálicos dentro da figura, de acordo com Yang.
"Os metais são bons condutores porque têm elétrons livres.
Quando os colocamos no microscópio e jogamos uma luz sobre eles, esses elétrons
oscilam de maneira diferente dependendo do tamanho de cada nanodisco."
Por isso, a luz reflete em cada um dos nanodiscos em uma
frequência distinta, criando diferentes cores. Por causa de seu tamanho e da
necessidade da luz, a imagem colorida só consegue ser vista no microscópio.
O método, de acordo com Chad Mirkin, "é uma maneira
inteligente de criar as cores desejadas."
'Primeira-dama'
A foto da modelo sueca na Playboy foi usada como imagem de teste pela
primeira vez em 1973.
Um professor assistente de engenharia elétrica do Instituto
Alexander Sawchuck de Processamento de Sinal e Imagem, da Universidade do Sul
da Califórnia, estava buscando uma imagem para usar no trabalho de um colega.
Ele queria uma foto diferente das que eram normalmente usadas em
publicações e, quando alguém veio com a edição mais recente daPlayboy, ele usou a página
central.
A imagem se tornou uma das mais usadas na história da
computação, e a modelo passou a ser chamada de "a primeira-dama da
internet".
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