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Regeneração de pelos no ouvido reverte
surdez
Por BBC Brasil
10 de janeiro de 2013
Cientistas americanos
conseguiram reverter pela primeira vez um quadro de surdez ao regenerar os
pequenos pelos que detectam os sons dentro do ouvido.
O
estudo, liderado por pesquisadores das universidades de Harvard e
Massachusetts, foi publicado na revista científica Neuron.
Os testes foram feitos
em ratos de laboratório.
Como
parte do experimento, as cobaias receberam uma injeção que estimulou o
crescimento dos pelos dento de seus ouvidos.
A
audição normal não foi totalmente restaurada, mas os camundongos surdos
passaram, após a medicação, a ouvir barulhos como a batida de uma porta ou do
próprio trânsito.
Especialistas
dizem ter ficado "extremamente contentes" com o resultado, mas
alertaram que o tratamento em humanos ainda está longe de se tornar realidade.
A
audição normal depende do processo de conversão das ondas de som em sinais
elétricos, identificados e processados pelo cérebro.
O
primeiro passo nesse procedimento ocorre no interior do ouvido, onde as
vibrações do som movimentam os minúsculos pelos, criando o sinal elétrico.
A
maior parte dos problemas auditivos, dizem os cientistas, são resultado de um
dano nesses pelos.
Para
conduzir o estudo, os pesquisadores do Massachusetts Eye and Ear e da Harvard
Medical School utilizaram camundongos completamente surdos e que não possuíam
pelos em seus ouvidos.
Um
medicamento foi então usado para afetar as células responsáveis pelo
crescimento dos pelos. A droga "reprogramou" as células, alterando
seus genes e estimulando sua transformação em células de pelos.
Pelos
Um
dos pesquisadores, Albert Edge, diz: "Até agora, não era possível
regenerar as células dos pelos em mamíferos adultos; isso é muito importante.
Pela primeira vez, nosso estudo mostra que é possível".
Ressonâncias
do cérebro mostraram que alguns sons puderam ser entendidos pelos animais.
Segundo
Edge, "houve um pequeno progresso, mas não um imenso progresso".
"Os
camundongos agora podem detectar um barulho alto em uma frequência baixa, como
a batida de uma porta ou o trânsito - mas isso ainda está longe de ser uma
audição de características normais".
Avanços
similares foram feitos com células-tronco em 2012. Nesse estudo, as conexões
entre os pelos e o cérebro foram interrompidas e as células-tronco foram usadas
para criar novas ligações.
A
reconstrução "capilar", entretanto, é um desafio muito maior.
Para Ralph Holme,
responsável pela pesquisa biomédica na organização sem fins lucrativos Action
on Hearing Loss, voltada para pessoas com deficiência auditiva, "a ideia
que a droga pôde ser usada para "enganar" a cóclea (porção interna do
ouvido onde se encontram os terminais auditivos) e, assim, produzir novas
células de pelos para melhorar a audição é fantástica e realmente oferece a esperança
a milhões de pessoas buscando uma cura para a surdez".
"No
entanto, é importante lembrar que essa pesquisa ainda está em estágio inicial e
somente uma recuperação parcial da surdez foi observada", conta ele.
"Será
importante testar se tal procedimento será útil no tratamento de casos de
surdez de longo prazo", conclui.
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