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Descoberto vírus 'que roubava documentos
secretos desde 2007'
Por BBC Brasil
15 de janeiro de 2013
Investigadores russos
descobriram uma rede de hackers que poderia estar roubando desde 2007
documentos confidenciais de instituições governamentais de dezenas de países do
mundo, incluindo o Brasil.
A empresa de segurança online Kaspersky Labs afirmou à BBC que o
programa malicioso distribuído pela rede foi desenvolvido para roubar arquivos
codificados de instituições como embaixadas, centros de pesquisa nuclear e
institutos ligados aos setores de petróleo e gás.
O
programa malicioso (ou malware, na linguagem técnica) foi batizado de Red
October, em referência ao submarino russo do livro A
Caçada ao Outubro Vermelho, de Tom Clancy.
Segundo a Kaspersky, os principais alvos eram países do Leste
Europeu, ex-repúblicas soviéticas e países da Ásia Central, mas ataques também
foram verificados ao redor do mundo, incluindo Estados Unidos e países da
Europa Ocidental.
Um especialista descreveu a descoberta do ataque como
"muito significativa".
"Esse programa parece estar tentando coletar todas as
coisas usuais - documentos de Word, PDFs, todas as coisas que você poderia
esperar. Mas algumas das extensões de arquivo que ele alveja são arquivos
encriptados muito específicos", diz o especialista Alan Woodwards, da Universidade
de Surrey.
Segundo a Kaspersky, "o principal objetivo dos hackers era
juntar documentos sensíveis das organizações atingidas, que incluíam
inteligência geopolítica, credenciais para o acesso a sistemas de computadores
protegidos e dados pessoais de dispositivos móveis e de equipamento de
rede".
'Vítimas selecionadas'
Em entrevista à BBC, o chefe de pesquisas da Kaspersky para
malware, Vitaly Kamluk, disse que as vítimas foram cuidadosamente selecionadas.
"(O ataque) foi descoberto em outubro. Começamos nossas
checagens e rapidamente compreendemos que essa é uma enorme campanha de ataque
cibernético", comenta Kamluk.
"Há um conjunto bem limitado de alvos afetados -
cuidadosamente selecionados. Eles parecem estar relacionados a algumas
organizações de alto perfil", diz.
Segundo ele, o Red October tem muitas semelhanças com o Flame,
outro grande ataque cibernético descoberto no ano passado.
Assim como o Flame, o Red October é composto de vários módulos
distintos, cada um deles com um objetivo ou uma função.
"Há um módulo especial para a recuperação de arquivos
apagados de cartões de memória", diz Kamluk.
"Ele monitora quando um cartão de memória é plugado e tenta
então recuperar arquivos apagados. Nunca havíamos visto isso antes em um
malware", observa.
Escondido
Outra característica única do Red October é sua
habilidade de se esconder em uma máquina como se houvesse sido apagado, segundo
Woodward.
"Se
ele é descoberto, ele se esconde. Quando todos pensam que a costa está limpa,
você manda um e-mail e 'pá', ele volta a ficar ativo", afirma.
Outros módulos foram desenvolvidos para buscar arquivos
codificados com um sistema conhecido como Cryptofiler - um método que era
disseminado em agências de inteligência, mas que agora é menos comum.
Woodward explicou que apesar de o Cryptofiler não ser mais usado
para documentos extremamente sensíveis, ele ainda é usado por organizações como
a Otan para proteção da privacidade e de outras informações que podem
interessar a hackers.
O ataque do Red October a arquivos do Cryptofiler podem sugerir
que os métodos de codificação haviam sido "quebrados".
Segundo Kamluk, a origem do malware ainda está sendo
investigada, mas o código do programa incluiria termos errados em inglês
supostamente influenciados pelo russo.
Um desses indícios seria o uso da palavra 'proga', gíria comum
entre os russos para programa ou aplicativo e que não é usada em nenhuma outra
língua.
Woodward, porém, adverte que "no velho mundo sorrateiro da
espionagem, poderia ser um exercício falso de sinalização". "Não dá
para tomar essas coisas pelo valor de face", afirma.
Segundo a Kaspersky, um relatório de cem páginas sobre o malware
deve ser publicado até o fim da semana.
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