Ciência – Mundo Cientifico -
Repórteres da BBC comparam ciclismo urbano em Londres e
São Paulo
Por BBC Brasil
10 de maio de 2013
Em meio a um cenário em
que o uso da bicicleta como transporte alternativo em grandes centros urbanos –
com ruas congestionadas e sistemas coletivos sobrecarregados – vem ganhando
cada vez mais espaço, a BBC Brasil enviou dois de seus repórteres às ruas de
Londres e São Paulo para ver de perto como é pedalar em duas das maiores
cidades do mundo.
Embora
na visão de ativistas e analistas a capital britânica ofereça melhores
condições para os ciclistas do que São Paulo, muitos londrinos se mostram
insatisfeitos e buscam inspiração na Holanda e na Dinamarca para pressionar por
mais infraestrutura para as bicicletas.
Por outro
lado, na maior cidade do Brasil, há sinais de uma ainda embrionária maior
consciência rumo a um trânsito compartilhado, incluindo iniciativas do governo
nesse sentido - mas cicloativistas argumentam que, dadas as dimensões locais,
as políticas públicas ainda são insuficientes.
Ambas
as metrópoles, no entanto, ainda falham ao proteger os que optam pela bicicleta
como meio de transporte, registrando dezenas de mortes de ciclistas anualmente.
Em 2011, 17 ciclistas perderam a vida nas ruas londrinas, enquanto na capital
paulista foram 49 – o que representa praticamente uma morte por semana.
Comparação
Entre
as semelhanças, motoristas em geral e taxistas tendem a competir por espaço e
muitas vezes avançam sobre faixas dedicadas aos ciclistas.
Mas,
por exemplo, no caso dos ônibus, em Londres os motoristas recebem treinamento
especial para não expor os ciclistas a riscos, enquanto em São Paulo os
coletivos representam uma das maiores ameaças à vida dos que optam pela
bicicleta.
As
diferenças entre as duas metrópoles também são evidenciadas pelos tipos de
campanhas de ativistas e entusiastas do ciclismo.
Se na
Grã-Bretanha o objetivo é fazer valer as ciclofaixas e ciclovias já existentes
e relembrar um compromisso do governo para tornar a estrutura para o ciclista
mais semelhante à de cidades da Dinamarca e da Holanda, no Brasil a principal
meta ainda é batalhar pela inclusão da bicicleta no espaço urbano de forma
segura e exigir a construção de infraestrutura para isso.
Em
outras palavras, se em Londres os donos de quase um milhão de bicicletas estão
nas ruas e lutam por avanços, na cidade de São Paulo, onde há mais de três
milhões de bicicletas, muitos ainda temem usá-las como meio de transporte
diário nas principais avenidas, reservando-as somente para o lazer nos fins de
semana.
Perspectiva
Tom
Bogdanowicz, diretor da ONG London Cycling Campaign, disse à BBC Brasil que um
abaixo-assinado conseguiu a adesão de 42 mil pessoas durante a última campanha
eleitoral para a prefeitura de Londres – sobretudo exigindo mais segurança.
"Milhares
saíram às ruas em um passeio que organizamos em apoio a isso, e agora nós
estamos cobrando o candidato vencedor, Boris Johnson, sua promessa de deixar
nossas ruas tão convidativas e seguras como as da Holanda”, diz.
Já a
paulistana Renata Falzoni, cicloativista e bikerrepórter com mais de 30 anos de
experiência, diz que é preciso colocar a situação das duas cidades em
perspectiva.
Ela diz
que em Londres as ruas são compartilhadas como reflexo de uma política pública
que prima por isso, mesmo que ainda haja muito o que avançar, enquanto em São
Paulo ciclistas têm que dividir as ruas com os carros porque essa é a única
opção, diante da ausência de políticas mais efetivas.
Lentidão
É fato
que a capital paulista possui ciclovias, como a da marginal do rio Pinheiros,
mas elas são vistas como insuficientes diante das dimensões da cidade e
ativistas também apontam para a falta de integração com estações de metrô e o
restante do sistema viário.
O
assunto foi tema de campanha eleitoral para a prefeitura paulistana no ano
passado e há iniciativas recentes, como a instalação experimental de faixas
para ciclistas largarem à frente dos carros em semáforos, semelhantes às de
Londres.
Mas
cada vez que um ciclista morre em uma das principais avenidas da região central
da cidade, o debate é retomado e ativistas voltam a apontar que é preciso fazer
mais.
"Nesses
últimos 30 anos já rodei 27 países de bicicleta, e nesse tempo, São Paulo
mudou, mas muito lentamente. As políticas públicas são sempre muito atrasadas.
No entanto, um conceito de que as ruas são para as pessoas não acontece, as
ruas ainda são voltadas primordialmente para os carros. Elas continuam sendo
traçadas, planejadas e geridas sempre com a preferência para os veículos”, diz
Falzoni.
Texto
em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2013/05/130509_especial_ciclismo_urbano_londres_saopaulo_as_jp.shtml>
Acesso dia 10 de maio de 2013.

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