Ciência – Mundo Cientifico
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Médicos
britânicos desenvolvem animações gigantes para aulas
Por BBC Brasil
19 de junho de 2013
Dois médicos britânicos
criaram um sistema que usa uma animação em 3D gigante para ajudar estudantes de
medicina a compreender melhor o assunto das aulas.
Os dois
mostraram um gráfico 3D de um rim com quatro metros para demonstrar a função
renal durante uma aula na semana passada.
Estas
animações foram desenvolvidas por Kapil Sugand, que trabalha no St. George's
Hospital e no Imperial College, ambos em Londres, e pelo médico Pedro Campos,
do St. George's Hospital.
Eles
dizem que a técnica não pode ser chamada de holograma, pois é baseada em um
tipo de ilusionismo que combina placas de vidro com métodos especiais de iluminação
para fazer com que as imagens apareçam flutuando no ar.
As
imagens são animadas e podem ser controladas pelo palestrante.
Para
criar as animações, são usados três projetores que geram imagens coloridas no
palco e foram projetadas para serem usadas em um grande auditório.
Os
médicos afirmam que queriam facilitar a absorção de uma grande quantidade de
detalhes e informações, necessários para que os estudantes de medicina passem
em provas importantes. Os estudantes podem participar de até nove horas de
aulas e palestras por dia e normalmente estudam seis anos para conseguir a
qualificação necessária para exercer a profissão.
"A
pesquisa em ciências educacionais mostrou que a capacidade de prestar atenção
de um estudante médio dura entre 20 e 30 minutos, mas as aulas padrão duram
pelo menos uma hora", disse Sugand à BBC.
"O
corpo humano é uma máquina muito complexa. É muito difícil compreender como um
rim ou fígado funcionam com slides de Powerpoint, por exemplo."
Um
"corpo humano holográfico" já foi testado em uma aula de anatomia no
Imperial College, mas o projeto não visava uma grande audiência, segundo
Sugand.
"Isto
(o projeto) pode ser uma forma de ensinar procedimentos cirúrgicos para um
grande grupo de alunos", afirmou o médico.
Resposta positiva e custos
A
resposta dos alunos do primeiro ano de medicina no St. George's Hospital, da
Universidade de Londres, que participaram da aula com a nova animação 3D foi
positiva.
"Passamos
muito tempo olhando manuais e ouvindo aulas para tentar entender os assuntos e
acho que isto (a animação) tornaria várias áreas médicas mais fáceis de
entender", disse Hannah Barham.
"Como
conceito é fantástico, mas não acho que vai substituir a aula tradicional no
momento, pois não é possível personalizar (as animações para cada aula)",
afirmou outro aluno, Andrew Salmon.
Sugand
admite que as animações visam ser uma ferramenta a mais e não se transformariam
em substitutas para o uso de corpos em aulas de anatomia.
"Nada
pode substituir a dissecação de um corpo, é a melhor e mais tradicional forma
de aprender anatomia. (O uso de ferramentas) Multimídia se transformou em uma
forma de complementar e não de substituir aquele processo", disse.
Sugand
e Campos gastaram 10 mil libras (cerca de R$ 33,9 mil) para elaborar um pequeno
acervo de imagens em 3D, incluindo uma sequência que destaca os efeitos da
malária em várias partes do corpo. O dinheiro veio das universidades onde os
dois trabalham e também dos pais de Pedro Campos.
Apesar
da demonstração bem-sucedida da animação durante uma palestra, a universidade
que sediou o evento já informou que o projeto ainda não deverá ser aplicado.
"O
custo seria muito alto. Neste estágio é mais uma prova do conceito", disse
um porta-voz do hospital St. George's Hospital e da Universidade de Londres.
Texto
em PDF:
Disponíve
em: <
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/06/130619_hologramas_aulas_medicos_fn.shtml
> Acesso dia 22 de junho de 2013.

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