Ciência – Mundo Cientifico –
Computador mais barato do mundo pode ter fábrica no Brasil
Por BBC Brasil
18 de julho de 2013
Eben Upton, diretor-executivo do Raspberry Pi Foundation,
que desenvolveu o computador mais barato do mundo, o Raspberry Pi, está
estudando abrir uma fábrica no Brasil para baratear o preço do produto no país.
O RasberryPi é vendido por US$ 35 (R$ 78) no Reino Unido,
mas chega ao Brasil custando US$ 85, cerca de R$ 189.
"As taxas de importação do Brasil são quase
proibitivas", diz ele em entrevista à BBC Brasil.
"Por isso, se conseguirmos produzir o Pi por lá,
tornaremos o produto muito mais acessível e poderemos também facilitar a
distribuição para toda a América Latina," acrescentando que considera a
região um mercado prioritário.
Sem fornecer números precisos, Upton disse que atualmente
vende "algumas milhares" de unidades do computador no Brasil, o que
ele considera pouco diante do tamanho da população, renda média e
"entusiasmo dos brasileiros por tecnologia."
Ele afirma que ainda está no estágio de reconhecimento do
mercado e que ainda não negociou com possíveis parceiros a fabricação do Pi no
Brasil.
Surpreendente demanda
O Raspberry PI é um computador de uma placa só, com
circuitos e componentes, da dimensão de um cartão de crédito, que não possui
nenhum tipo de teclado, mouse, ou monitor. Mas apesar de seu tamanho, é um
sucesso de vendas para a organização sem fins lucrativos que o criou.
Segundo Upton, a ideia principal por trás do Raspberry Pi
é fomentar a educação. "Não estamos produzindo engenheiros de computação
suficiente no Reino Unido, ou no planeta. Por isso pensamos que poderíamos
criar um novo dispositivo para produzir uma nova geração de entusiastas de
programação," disse Upton em entrevista à BBC Mundo.
O Pi, como é carinhosamente conhecido, tem um sistema
operacional baseado em Linux, que pode ser trocado por outro software de código
aberto.
"Até pouco antes do lançamento, nossa ambição era
vender mil unidades," disse Upton. "Mas logo antes de lançar,
suspeitamos que não seria suficiente, e que teríamos uma demanda maior do que
esperávamos."
O maior problema da organização era que eles não estavam
preparados para atender uma grande demanda, nem teriam a capacidade de fabricar
milhões de unidades em pouco tempo.
"Nós somos uma organização de caridade, não temos
muito dinheiro. Não podemos pegar investimento privado, nem vender ações na bolsa de
valores", diz Upton. "Por isso mudamos o modelo operacional e nos
tornamos uma empresa que licencia o uso da criação."
Assim, com parceiros a bordo, o projeto foi capaz de
receber uma boa notícia: 100 mil unidades vendidas no primeiro dia de
lançamento, 29 de fevereiro de 2012, e mais de um milhão até o momento.
Curiosamente, contou o fundador, 70% das vendas foram fora do Reino Unido,
principalmente nos Estados Unidos.
Duas coisas surpreenderam Upton desde o lançamento do
aparelho. Uma deles é o fato de que as pessoas estão usando o Raspberry Pi como
uma parte central de novos equipamentos, principalmente de robôs.
"Achávamos que as inovações viriam mais do lado de software."
A segunda surpresa foi que, apesar de ter sido criado
pensando na educação de jovens e crianças, outras pessoas estão usando o
computador. "Pessoas estão se juntando e estão fazendo coisas muito
engraçadas com ele".
"Isso pode ser explicado porque, no Reino Unido, há
uma longa tradição de ver a computação como algo divertido, algo que você pode
usar para inovar e criar coisas incríveis", concluiu Upton.
Escolas
Seu projeto para levar o Raspberry Pi às escolas também
está progredindo. O escritório do Google no Reino Unido, por exemplo, concedeu
um subsídio de US$ 1 milhão para distribuir o dispositivo em milhares de
escolas.
Ao contrário do projeto One
Laptop Per Child ("Um
computador por criança" em tradução livre), criado por duas ONGs
americanas para supervisionar a facilitação de dispositivos educacionais para
países em desenvolvimento, o Raspberry não trabalha com governos, mas com as
comunidades e escolas que vêm a eles, criando uma rede de entusiastas que
acreditam no produto.
Upton diz que o software da placa é atualizado em média a
cada dois meses e que não haverá uma nova versão do computador nos próximos
dois anos. "Não queremos que as pessoas invistam dinheiro e esforços em um
produto que irá expirar em breve. Ainda há espaço suficiente para crescer com o
modelo atual, e desafios para serem superados."
Ao nomear sua criação como Raspberry Pi (ou
"Framboesa Pi" em português), os fundadores buscaram continuar a
tradição de empresas de informática que usam frutas como um nome, como Apple
(Maçã) e BlackBerry (Amora).
"Raspberry (framboesa) parecia uma fruta divertida,
e projetava a imagem que queríamos. E Pi (além de sua referência ao número) foi
uma homenagem à linguagem de programação Python, uma das mais educativas que
existe," explicou Upton.
"Espero que em cinco anos ela se torne uma
plataforma verdadeiramente útil para que as pessoas façam o que quiser com ela.
E espero que o Raspberry Pi esteja presente em muitas casas em países em
desenvolvimento," concluiu Upton.
Texto em PDF:
Disponível em <
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130718_computador_mais_barato_mundo_an.shtml
> Acesso dia 18 de julho de 2013.

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