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Google: conheça as
alternativas ao gigante das buscas
Por BBC Brasil
18 de julho de 2013
A Google, empresa por trás do famoso site de buscas, anda
bastante ocupada. Nas últimas semanas, ela apresentou uma nova ferramenta que
trata e corrige fotos de sua rede social, o Google+; lançou balões de ar com
equipamentos que levarão o acesso a internet quase ao espaço; inaugurou um novo
serviço de música por streaming, o Google Play Music All Access; deu pistas
sobre um novo smartphone, o Moto X, e revitalizou seu sistema de mapas.
Em breve também trará ao mercado o Google Glass, um
óculos que terá recursos para tirar fotos e filmar e permitirá também a
navegação por GPS.
Mas quando a gigante do setor de tecnologia divulgar seu
próximo balanço financeiro,
investidores estarão preocupados com outra coisa: o desempenho do negócio de
anúncios online do Google, sua principal fonte de lucro.
A predominância do Google entre os buscadores na internet
já não é mais tão grande assim.
Na Grã-Bretanha, de todas as buscas feitas no país, a
empresa responde por 90% das que são feitas em computadores e 92% das feitas
pelo celular, de acordo com dados da empresa de análiseStatcounter.
Mas, nos Estados Unidos, somente 78% das pessoas que usam
computadores para fazer buscas ainda se mantêm fiéis à empresa.
"Algum
tempo atrás, o Google era claramente um sistema de buscas melhor, mas agora já
podemos debater essa questão. Entretanto, o poder da marca Google, juntamente
com sua agressiva estratégia em meios portáteis solidificou sua liderança na
maioria dos mercados num futuro próximo."
Greg Sterling,
analista de tecnoogia
No Brasil, de acordo com um levantamento da consultoria
Serasa Experian feito neste ano, o site Google Brasil era o líder entre os
buscadores, sendo usado em 73,83% das buscas realizadas no país no período de
quatro semanas encerrado em 30 de março. Em segundo lugar ficou o Bing Brasil,
da Microsoft, com 9,91%.
Em outros países, como Rússia, China e Coreia do Sul, a
empresa vive uma situação pior, com forte concorrência de sites de busca
locais.
"Algum tempo atrás, o Google era claramente um motor
de busca melhor, mas agora já podemos debater essa questão", afirma Greg
Sterling, analista que escreve para o site de notícias sobre tecnologia Search
Engine Land.
"No entanto, o poder da marca Google, juntamente com
sua estratégia agressiva em meios portáteis (celulares e tablets, por exemplo)
solidificou sua liderança na maioria dos mercados num futuro próximo".
"Nada é certo, mas é difícil imaginar algum
concorrente — fora de países na Ásia e da Rússia — ganhando espaço
significativo na área de buscas na rede", ressalta Sterling.
Ainda assim, outras empresas continuam a oferecer alternativas ao gigante das buscas e até mesmo
tentando repensar a tecnologia por trás das pesquisas na internet. Conheça
algumas delas:
BING
O Bing, da Microsoft, é o principal concorrente do Google
se pensarmos em termos globais, ainda que tenha menos de um vigésimo de tráfico
total, de acordo com o StatCounter.
A mais óbvia diferença entre o Bing e o Google é que, no
caso do sistema de buscas da Microsoft, fotografias coloridas compõem o fundo
de sua página inicial, com áreas que destacam links relativos ao tema
pesquisado.
A Microsoft também está tentando associar o Bing às redes
sociais.
Nos Estados Unidos, os usuários do serviço conseguem ver
uma barra lateral que sugere amigos no Facebook que podem ser capazes de
ajudá-lo com uma pesquisa em particular. Eles também podem ver
"quadros" ─ imagens e links que são sugeridos por blogueiros ou
outros especialistas sobre aquele tema.
YANDEX
O site de buscas mais popular da Rússia, Yandex, tem
versões para a pesquisa em inglês, turco e ucraniano, entre outras línguas.
A empresa está introduzindo uma novidade nos seus
resultados de pesquisa, entre elas um recurso chamado "ilhas".
As ilhas são blocos de informação que se integram
visualmente à página de busca, fazendo com que o usuário não precise sair do
buscador e entrar em outros sites para realizar determinadas atividades.
Por exemplo, uma pesquisa por Aeroflot check-in in Moscow ("Aeroflot check-in em
Moscou", em tradução livre), vai trazer à tela um bloco (ilha), permitindo
que o usuário faça check-in online na companhia aérea russa sem ter que sair do
Yandex e entrar no site da companhia aérea Aeroflot.
Uma pesquisa por optometrist
city clinic 57 ("optometrista
cidade clínica 57") permitiria à pessoa marcar uma consulta com um
especialista em outra ilha que aparece no Yandex, sem sair do buscador.
DUCKDUCKGO
O DuckDuckGo coloca a privacidade como sua principal
característica, prometendo não coletar ou compartilhar informações sobre seus
usuários ─ um tema delicado depois das revelações de que o Google, a Microsoft
e outras empresas passaram informações pessoais de usuários para a Agência
Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês).
O tráfego do DuckDuckGo deu um salto depois que detalhes
sobre o programa de espionagem conduzido pela NSA, o Prisma, vazaram ao
público. No entanto, alguns questionam se o buscador pode realmente prevenir a
NSA de "fuçar" os dados de usuários caso a agência esteja determinada
a fazê-lo.
O DuckDuckGo também afirma ser visualmente mais
"limpo" que seus rivais ─ em parte porque o site se limita a exibir
apenas um anúncio publicitário por cada página de resultados ─ e não
personaliza os resultados, argumentando que impede que seus usuários fiquem
presos em "bolhas criadas por filtros".
BLIPPEX
A maioria dos sistemas de busca na internet baseia seus
resultados na análises das palavras e dos links que estão em uma página.
No caso do Blippex, o site ordena a busca de acordo com
um ranking próprio ─ o DwellRank ─ que verifica o tempo que as pessoas gastam
navegando em uma página depois de clicarem no link.
Quanto mais segundos o usuário permanece num site, mais
importante o DwellRank julga que esse endereço é.
O serviço consegue estas informações pedindo a
voluntários para instalarem um arquivo em seus computadores que envia de volta
informações sobre a atividades deles anonimamente.
O Blippex foi lançado no começo do mês e alguns de seus
usuários podem achar os resultados de suas buscas um pouco incomuns, mas os
desenvolvedores do buscador garantem que quanto mais pessoas utilizarem o
sistema, melhor o site se tornará.
WOLFRAM ALPHA
O Wolfram Alpha se descreve como um "sistema
computacional de conhecimento" e não se vende como um site de buscas no
sentido mais restrito da definição, ainda que muitas pessoas o utilizem para
pesquisar informações que estão em outros sites.
Ao invés de entregar resultados no formato de uma lista
de links para outros sites, o Wolfram Alpha reúne informações e estatísticas de
fontes primárias e estrutura os dados, permitindo também compará-los com outras
bases de dados, e apresentando o resultado em uma série de tabelas, gráficos e
ilustrações.
O buscador também cobra por uma opção "pro",
que permite que os usuários forneçam ao site suas próprias suas imagens e
estatísticas para análise, o que favoreceria a apresentação de melhores
resultados a cada busca.
BLEKKO
A característica mais atraente comercialmente do Blekko é
o uso de uma ferramenta batizada de "slashtag" (se refere ao termo
slash, a barra "/" do teclado), que é capaz de filtraras informações
que o usuário quer receber.
Por exemplo, se uma pessoa quer saber onde comprar um
bolo de chocolate, ela pode digitar "bolo de chocolate / loja /
restaurante". Mas se ele quer ver uma lista de artigos sobre esse assunto
com os mais recentes no topo, ele deve digitar "bolo de chocolate / blog /
data".
Dessa forma, os resultados são agrupados em diferentes
categorias ─ como lojas, receitas e decoração de bolo ─, para ajudar os
usuários a focar no tipo específico de resultados que eles desejam.
NAVER
O site de buscas mais utilizado da Coreia do Sul, Naver,
foi criado por um grupo de ex-funcionários da Samsung e lançado em 1999.
As buscas dão resultados pouco comuns, com longas listas
de links agrupados de acordo com a fonte ─ blogs, redes sociais, propagandas,
aplicativos, livros e serviços de notícia.
Os links geralmente levam os usuários para os serviços do
próprio Naver, incluindo seus "cafés" ─ espécies de fóruns onde
pessoas com os mesmos interesses trocam informações sobre um tema em
particular.
No início do mês de julho, a Comissão de Comércio Justo
(FTC, na sigla em inglês) da Coreia do Sul, o organismo antimonopólio do país,
anunciou que está investigando a empresa por supostas práticas
anticompetitivas.
PIPL
O Pipl se especializou em encontrar detalhes sobre uma
pessoa específica ou material que essa pessoa postou na rede. Ele permite que
as buscas sejam baseadas em um nome, um endereço de e-mail, um nome de usuário
ou um número de telefone.
Os desenvolvedores do buscador dizem que o produto mostra
resultados que seus rivais não encontram porque o Pipl "entra na internet
profunda" (expressão que se refere ao conteúdo disponível na rede que não
é indexado pela maior parte dos buscadores padrão).
Esses resultados incluem informações de perfis de redes
sociais, registros judiciais, diretórios de membros (de grupos ou organizações)
e outras bases de dados.
Os resultados também incluem fotos e, às vezes, os nomes
de outras pessoas que o "procurado(a)" conhece.
O Pipl pode até soar como o sonho dos detetives particulares,
mas as pessoas podem utilizar o serviço como uma forma de rastrear perfis e
postagens que elas próprias fizeram no passado, mas se esqueceram.
BAIDU
O Baidu é, de longe, o site mais popular da China,
espremendo o mercado do Google no país.
A empresa diz que sua força está no fato de não fornecer
somente links como resultado das buscas, mas, em vários casos, dar a informação
exata que o usuário quer. Isso pode incluir músicas, vídeos ou até mesmo
aplicações interativas na internet.
Por enquanto, o serviço exige que seus usuários sejam
proficientes em chinês. No entanto, o Baidu lançou recentemente uma versão em
inglês voltada para desenvolvedores estrangeiros que queiram vender aplicativos
para a China.
YACY
O motor de busca do Yacy se baseia no princípio de rede peer-to-peer, que permite que
cada computador da rede compartilhe e receba dados sem que eles passem por um
servidor central.
Por isso, ao invés de utilizar seus próprios servidores
para indexar links da internet, o sistema se apoia nos computadores de seus
usuários para fazer o trabalho por meio de um software distribuído pela
empresa.
A informação rastreada é compartilhada em uma base de
dados comum, cujos fragmentos estão distribuídos pela rede.
Já que a resposta para uma busca é obtida dos
computadores de voluntários ─ e não de um portal central ─ o Yacy diz que é
impossível censurar seus resultados.
No entanto, os algoritmos que o buscador utiliza para
criar um ranking dos resultados não é tão avançado quanto o de seus rivais tradicionais,
o que o torna menos atraente para pessoas além de um grupo de entusiastas do
serviço.
STARTPAGE
O StartPage diz que seus serviços foram "melhorados
pelo Google" ─ uma referência bem-humorada ao fato de ele depender da
empresa para obter seus resultados.
Sua principal característica é retirar todo tipo de
informação que identifique os usuários antes de começar as buscas, impedindo
que o Google consiga rastrear informações pessoais ou instalar cookies (dados
que o navegador armazena no computador do usuário ─ como a senha que a pessoa
usou para entrar em seu e-mail) nos computadores de quem faz a pesquisa.
A empresa por trás do produto ─ a Surfbord Holding, que
fica na Holanda ─ garante que as informações de seus clientes são mantidas
longe do alcance de programas de coleta de informações, como o Prisma, da
Agência Nacional de Inteligência americana.
Tudo isso pode parecer bom para os usuários de internet
que são mais conscientes sobre questões de privacidade. Por outro lado, o
resultado das pesquisas não pode ser personalizado para cada usuário, porque
não pode utilizar o histórico do navegador da pessoa e nem a informação sobre a
localização do computador.
O StartPage garante que isso torna seus resultados mais
"puros".
Texto em PDF:
Disponível
em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130718_google_concorrentes_gm.shtml
> Acesso dia 19 de julho de 2013.

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