Ciência
– Mundo Cientifico –
Pesquisador testa hormônio para substituir cirurgia de redução do
estômago
Por BBC Brasil
23 de julho de 2013
Hormônios que suprimem o apetite costumam ser liberados após cirurgia de
redução de estômago
Um estudo em curso na Grã-Bretanha está testando o uso de hormônios para
combater a obesidade e substituir cirurgias de redução de estômago em pacientes
obesos.
Os hormônios são praticamente os mesmos liberados naturalmente pelo
corpo após todas as refeições e que indicam ao corpo que a fome foi saciada,
explica à BBC Brasil o líder do estudo, o médico Steve Bloom, chefe do departamento
de estudos sobre diabetes, endocrinologia e metabolismo do prestigioso Imperial
College, em Londres.
Os médicos perceberam que esses mesmos hormônios são liberados em
grandes quantidades pelo corpo de pacientes que se submeteram à cirurgia
bariátrica - e esse seria um dos motivos para o sucesso da cirurgia em grande
parte dos casos. Agora, a equipe de Bloom quer replicar esse efeito mesmo que o
paciente não queira ou não possa se submeter ao procedimento cirúrgico.
"Ainda estamos na fase de desenvolvimento, mas já mostramos que a
iniciativa funciona. Agora temos que torná-la disponível", diz Bloom à BBC
Brasil.
Ainda assim, diz ele, ainda serão necessários cerca de nove anos até que
o medicamento hormonal esteja devidamente testado, aprovado e pronto para ser
comercializado.
Hormônios
alterados
Bloom prevê que os hormônios devam causar poucos ou nenhum efeito
colateral, por serem "quase naturais" - sua alteração mais
significativa é que estão sendo desenvolvidos para seu efeito durar uma semana
no corpo, em vez de apenas alguns minutos.
Pacientes obesos receberiam, assim, uma injeção semanal da droga - em alguns
casos ao longo da vida inteira, para controlar seu apetite e assim perder
peso.
Mas Bloom diz que, até agora, tudo indica que a droga não causará
dependência e sua ingestão poderá ser interrompida, se necessário. "Se a
pessoa ficar doente e perder peso, por exemplo, pode parar de tomá-lo. Ela
também pode tentar uma dieta por
conta própria e, se não conseguir emagrecer, voltar a tomar o hormônio."
O custo estimado do tratamento, com 52 injeções anuais, é de cerca de 3
mil libras (R$ 10,2 mil) ao ano.
Estudos no
Brasil
Sua equipe recebeu 2 milhões de libras (R$ 6,8 milhões) de um centro de
financiamento pesquisas para
dar prosseguimento aos estudos e aos testes clínicos, que podem ser
parcialmente feitos no Brasil, diz Bloom.
"Escolheremos três ou quatro países para os testes internacionais,
e o Brasil é uma possibilidade por ter boa infraestrutura e marcos
regulatórios", explica o médico, lembrando também que o país seria um
"grande mercado" em potencial para a droga em desenvolvimento.
Dados do ano passado compilados pelo Ministério da Saúde apontam que a
proporção de pessoas acima do peso no Brasil avançou de 42,7%, em 2006 para
48,5%, em 2011.
Um levantamento do mesmo ano feito pela Universidade Estadual do Rio de
Janeiro calculou em R$ 3,57 bilhões os gastos públicos do Sistema Único de
Saúde (SUS) com doenças relacionadas à obesidade, como males cardiovasculares,
diabetes e alguns tipos de câncer.
Em março passado, o Ministério da Saúde publicou uma portaria reduzindo
de 18 para 16 anos a idade mínima para realizar a cirurgia bariátrica em casos
em que haja risco ao paciente. A operação costuma ser indicada como um último
recurso, em pessoas com outros problemas de saúde associados ao excesso de
peso.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, o procedimento
foi realizado 60 mil vezes no Brasil em 2010.
Problema global
E o aumento da obesidade no Brasil está longe de ser uma exceção. A
Organização Mundial da Saúde informa que o índice de obesidade infantil global aumentou
de 4,2% em 1990 para 6,7% em 2010. A expectativa é de que quase 10% das
crianças do mundo sejam acima do peso ou obesas em 2020.
Bloom diz à BBC Brasil que o problema está "cada vez pior" no
mundo inteiro, com consequências preocupantes.
"Por motivos ainda não compreendidos, notamos que cânceres são duas
vezes mais frequentes em pessoas obesas", diz o médico.
Texto em PDF:
Disponível em <
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130722_droga_obesidade_fl_pai.shtml
> Acesso dia 25 de julho de 2013.

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