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Um “viagra” para o desejo sexual feminino
Por Discovery Brasil
29 de maio de 2013
A evolução da ciência e da indústria
farmacêutica elevou o papel da mulher na família a um outro patamar. As pílulas
anticoncepcionais permitiram que ela escolhesse quando dar à luz e não
precisasse se ocupar da criação dos filhos na maior parte do tempo. Agora,
outro comprimido pode gerar uma nova revolução: o Lybridos promete reacender o desejo sexual em
mulheres que estão em relacionamentos longos.
A busca de uma pílula que “turbine” o desejo feminino começou em 1998,
pouco depois da chegada do comprimido azul que revolucionou a experiência
sexual dos homens com impotência: o Viagra. Desde então, vários laboratórios se
dedicaram a encontrar uma fórmula com resultados semelhantes no organismo
feminino, sem obter resultados positivos. Até agora.
Adriaan Tuiten, um cientista holandês
que estuda a relação entre as emoções e o cérebro, é o criador de Lybrido e Lybridos, duas
versões de um medicamento que age sobre o desejo sexual das mulheres. “Enquanto
o Viagra atua sobre a mecânica do corpo, sem influenciar diretamente a mente, o
Lybrido age não só na irrigação dos genitais femininos, mas também no nível
psicológico”, declarou Tuiten ao New York Times.
Como ele funciona? Os comprimidos contêm duas substâncias
neurotransmissoras, a serotonina e a dopamina, sendo que esta última atua no
prazer sexual e tem um papel predominante na interação química. As pílulas são
revestidas por uma película de testosterona flavorizada com menta, que se
dissolve na boca antes que a mulher engula o comprimido.
A combinação das duas substâncias visa mobilizar a mente para que a
mulher tenha mais consciência de seus impulsos eróticos, além de estimular a
produção natural de dopamina. Um ingrediente comum ao Viagra é a buspirona,
tradicionalmente utilizada como medicamento contra a ansiedade. Quando ingerida
com regularidade, pode aumentar o nível de serotonina no cérebro, mas seu uso
ocasional produz um efeito incrível a curto prazo: suprime a serotonina, e,
portanto, diminui a inibição sexual.
A nova droga se apresenta como uma alternativa às mulheres que sofrem de
desejo sexual hipoativo, uma condição em que ocorre a diminuição do desejo pelo
parceiro, sobretudo em um relacionamento monogâmico de muitos anos.
O distúrbio foi objeto de um estudo conduzido por Dietrich Klusmann,
psicólogo da Universidade de Hamburgo-Eppendorf, com 2.500 indivíduos
envolvidos em relacionamentos de longo prazo. A pesquisa é uma das poucas
comparações sistemáticas entre o desejo feminino e masculino nas diferentes
fases de um relacionamento.
Entre as conclusões, o estudo revela que, em um relacionamento estável,
cuja duração varia entre um e quatro anos, a libido da mulher diminui, enquanto
o desejo sexual do homem aumenta. Outro padrão recorrente: as mulheres que não
convivem com seus parceiros mantêm o desejo sexual por muito mais tempo que
aquelas que o fazem.
Os testes com o Lybrido e Lybridos, realizados
pelo ginecologista Andrew Goldstein, em Washington, em parceria com outros 16
centros de saúde do país, selecionou mulheres com parceiros fixos. Entre as
participantes, havia universitárias com parceiros de longa data, divorciadas
que namoravam recentemente, mulheres casadas que queriam reavivar a antiga
chama, ou voluntárias que simplesmente queriam participar dos testes.
Embora os dados ainda estejam em
análise para posterior aprovação da FDA, agência que regula alimentos e drogas
nos Estados Unidos, os resultados preliminares mostram um grande aumento do
desejo e da frequência de orgasmos. Tuenti afirmou que novos testes para
verificação de efeitos colaterais serão realizados, mas se tudo correr bem, o Lybrido e o Lybridos devem
chegar ao mercado em 2016.
Texto em PDF:
Disponível em <
http://noticias.discoverybrasil.uol.com.br/um-viagra-para-o-desejo-sexual-feminino/
> Acesso dia 08 de julho de 2013.

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