segunda-feira, 8 de julho de 2013

Ciência – Mundo Cientifico - Um “viagra” para o desejo sexual feminino



Ciência – Mundo Cientifico -
Um “viagra” para o desejo sexual feminino
Por Discovery Brasil
29 de maio de 2013

A evolução da ciência e da indústria farmacêutica elevou o papel da mulher na família a um outro patamar. As pílulas anticoncepcionais permitiram que ela escolhesse quando dar à luz e não precisasse se ocupar da criação dos filhos na maior parte do tempo. Agora, outro comprimido pode gerar uma nova revolução: o Lybridos promete reacender o desejo sexual em mulheres que estão em relacionamentos longos.
A busca de uma pílula que “turbine” o desejo feminino começou em 1998, pouco depois da chegada do comprimido azul que revolucionou a experiência sexual dos homens com impotência: o Viagra. Desde então, vários laboratórios se dedicaram a encontrar uma fórmula com resultados semelhantes no organismo feminino, sem obter resultados positivos. Até agora.
Adriaan Tuiten, um cientista holandês que estuda a relação entre as emoções e o cérebro, é o criador de Lybrido e Lybridos, duas versões de um medicamento que age sobre o desejo sexual das mulheres. “Enquanto o Viagra atua sobre a mecânica do corpo, sem influenciar diretamente a mente, o Lybrido age não só na irrigação dos genitais femininos, mas também no nível psicológico”, declarou Tuiten ao New York Times.
Como ele funciona? Os comprimidos contêm duas substâncias neurotransmissoras, a serotonina e a dopamina, sendo que esta última atua no prazer sexual e tem um papel predominante na interação química. As pílulas são revestidas por uma película de testosterona flavorizada com menta, que se dissolve na boca antes que a mulher engula o comprimido.
A combinação das duas substâncias visa mobilizar a mente para que a mulher tenha mais consciência de seus impulsos eróticos, além de estimular a produção natural de dopamina. Um ingrediente comum ao Viagra é a buspirona, tradicionalmente utilizada como medicamento contra a ansiedade. Quando ingerida com regularidade, pode aumentar o nível de serotonina no cérebro, mas seu uso ocasional produz um efeito incrível a curto prazo: suprime a serotonina, e, portanto, diminui a inibição sexual.
A nova droga se apresenta como uma alternativa às mulheres que sofrem de desejo sexual hipoativo, uma condição em que ocorre a diminuição do desejo pelo parceiro, sobretudo em um relacionamento monogâmico de muitos anos.
O distúrbio foi objeto de um estudo conduzido por Dietrich Klusmann, psicólogo da Universidade de Hamburgo-Eppendorf, com 2.500 indivíduos envolvidos em relacionamentos de longo prazo. A pesquisa é uma das poucas comparações sistemáticas entre o desejo feminino e masculino nas diferentes fases de um relacionamento.
Entre as conclusões, o estudo revela que, em um relacionamento estável, cuja duração varia entre um e quatro anos, a libido da mulher diminui, enquanto o desejo sexual do homem aumenta. Outro padrão recorrente: as mulheres que não convivem com seus parceiros mantêm o desejo sexual por muito mais tempo que aquelas que o fazem.
Os testes com o Lybrido e Lybridos, realizados pelo ginecologista Andrew Goldstein, em Washington, em parceria com outros 16 centros de saúde do país, selecionou mulheres com parceiros fixos. Entre as participantes, havia universitárias com parceiros de longa data, divorciadas que namoravam recentemente, mulheres casadas que queriam reavivar a antiga chama, ou voluntárias que simplesmente queriam participar dos testes.
Embora os dados ainda estejam em análise para posterior aprovação da FDA, agência que regula alimentos e drogas nos Estados Unidos, os resultados preliminares mostram um grande aumento do desejo e da frequência de orgasmos. Tuenti afirmou que novos testes para verificação de efeitos colaterais serão realizados, mas se tudo correr bem, o Lybrido e o Lybridos devem chegar ao mercado em 2016.

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