Ciência
– Mundo Cientifico –
Cientista israelense desenvolve
'hormônio da juventude' para plantas
Por BBC Brasil
02 de agostos de 2013
Biólogo acredita que plantas modificadas podem ajudar a
combater a fome
O biólogo Shimon Gepstein, do Instituto de Tecnologia de
Israel (Technion) desenvolveu um mecanismo genético para prolongar a vida das
plantas ─ estimulando a autoprodução de um hormônio chamado citocinina ─ que
pode incrementar o cultivo de plantas em áreas áridas e a produção de
alimentos.
Em entrevista à BBC Brasil, Gepstein explicou que
"com um mecanismo sofisticado de engenharia genética, conseguimos levar as
plantas a aumentar o nível do hormônio citocinina nos períodos em que esse
hormônio tende a baixar".
De acordo com o cientista, as plantas envelhecem e morrem
quando o nível desse hormônio baixa. Por intermédio do novo mecanismo, o ciclo
de vida das plantas é prolongado e sua biomassa aumenta, fazendo com que elas
produzam frutos mais resistentes e em maior quantidade.
"Em vista da crise global dos alimentos que tende a
se agravar, o mecanismo que desenvolvemos pode ser muito útil para combater a
fome no planeta."
Ele conta ainda que, "por acaso", também
descobriu que as plantas que passam pela intervenção genética são mais
resistentes à seca.
"Esqueci de regar as plantas, na quais já havíamos
aplicado o novo mecanismo hormonal, por três semanas. Elas ficaram expostas ao
sol durante esse período, e quando me lembrei tive certeza que já tinham
morrido", conta.
"Fiquei muito surpreso ao constatar que as plantas
estavam intactas, haviam sobrevivido sem água e não sofreram quaisquer
transformações."
'Hormônio da juventude'
Após esse incidente, Gepstein começou a regar as mesmas
plantas com 30% da quantidade de água que geralmente é necessária para plantas
normais.
Os resultados foram positivos. As plantas continuaram
crescendo, mesmo com um terço da água.
Vegetais se tornaram mais resistentes à falta de água
após experiência
"Essa experiência demonstra que, além de resolver o
problema da fome, o novo mecanismo genético também pode ser a resposta para o
problema da escassez de água no planeta", afirma.
Agora, o biólogo também se dedica ao desenvolvimento de
plantas para a produção de biocombustível. "A maior resistência das
plantas à escassez de água possibilita que o biocombustível seja cultivado em
áreas áridas, e assim poderemos poupar as áreas férteis para a produção de
alimentos."
Gepstein garante que esse tipo de intervenção genética
não é prejudicial à saúde humana.
"Concordo que a intervenção genética muitas vezes é
complicada e pode ser prejudicial à saúde, principalmente quando se introduz
hormônios estranhos às plantas, mas neste caso não interferimos na estrutura da
própria planta, apenas estimulamos as plantas a produzirem, por si mesmas, um
hormônio que elas já têm", diz.
O departamento de Biologia do Technion já fez
experiências com o "hormônio da juventude" em plantas de tabaco,
arroz, tomate e trigo. De acordo com Gepstein, todas elas foram bem sucedidas.
A BBC Brasil pediu a opinião de um especialista em
genética de plantas da Faculdade de Agricultura da Universidade Hebraica de
Jerusalém a respeito da manipulação genética das plantas.
De acordo com o especialista, que preferiu não se
identificar, "o nível do hormônio citocinina é de fato um fator
significativo na capacidade das plantas de sobreviverem em condições
duras".
No entanto, ele acredita que chamar a substância de
"hormônio da juventude" seria um "exagero".
"Infelizmente é necessário bem mais do que um só gene para salvar o mundo
da fome. Para aumentar a produção agrícola é necessária uma pirâmide inteira de
genes."
"O que a citocinina faz é retardar o envelhecimento
das folhas. Assim, ela contribui para a resistência da planta em condições de
escassez de água. Mas infelizmente, nesse assunto, os avanços são mais
complexos e demoram mais".
Texto em PDF:
Disponível em <
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/08/130731_hormonio_juventude_plantas_gf_cc.shtml
>Acesso dia 02 de agosto de 2013.

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