Ciência
– Mundo Cientifico –
Vacina
'erradica' vírus semelhante ao HIV em estudo em macacos
Por BBC Brasil
11 de setembro de 2013
Uma pesquisa
publicada na revista Nature mostrou que uma vacina que age contra um vírus
semelhante ao HIV que atinge macacos parece ter conseguido erradicá-lo.
Segundo cientistas
americanos, nove dos 16 macacos vacinados durante o estudo e infectados depois
aparentaram posteriormente não ter mais o vírus da
imunodeficiência símia (SIV, na sigla em inglês).
"É sempre difícil afirmar que
houve uma erradicação total – sempre pode haver uma célula que não analisamos e
que pode conter o vírus. Mas, de uma maneira geral, usamos critérios bem rigorosos
e podemos dizer que não havia vírus no corpo desses macacos", disse o
coordenador da pesquisa, Louis Picker, do Instituto de Vacinas e Terapia
Genética no Universidade
de Saúde e Ciência do Oregon.
Os estudiosos disseram que agora eles querem usar uma metodologia
semelhante para testar uma vacina contra o HIV em humanos.
Pesquisar e destruir
Os pesquisadores analisaram uma forma agressiva do vírus SIV, que chega
a ser cem vezes mais letal que o HIV.
Normalmente, os macacos infectados costumam morrer em dois anos. Mas, no
teste, o vírus não se fixou nos animais que receberam a vacina.
A vacina é feita a partir de outro vírus chamado citomegalovírus, que
tem semelhanças com o da herpes.
O medicamento usou o poder de infecção do citomegalovírus para fazer uma
espécie de varredura no corpo. Mas, ao invés de causar doenças, o vírus foi
modificado para estimular o sistema imunológico e combater o SIV.
"Ela (a vacina) mantém uma força armada, que patrulha todos
os tecidos do corpo, o tempo todo, indefinidamente", explica Picker.
Vírus erradicado com vacina é equivalente ao HIV em macacos
Os pesquisadores vacinaram macacos rhesus e, em seguida, os infectaram
com o SIV. Eles descobriram que, primeiro, a infecção começou a se manifestar e
a se espalhar. Mas, em seguida os corpos dos macacos começaram a reagir,
procurando e destruindo todos os sinais dos vírus.
Os macacos que responderam bem à vacina permaneceram livre da infecção
entre um ano e meio e três anos depois da aplicação.
Teste em humanos
Picker disse que sua equipe ainda está tentando descobrir por que a
vacinação funcionou em apenas pouco mais da metade dos macacos.
"Pode ser pelo fato de o SIV ser tão patogênico que isso talvez
seja o melhor que se consiga", disse o pesquisador ."Há uma batalha
em curso e em metade do tempo a vacina vence e no restante, perde."
O cientista ressaltou que, "para fazer uma versão para humanos da
vacina, precisamos ter certeza de que ela é absolutamente segura".
"Nós já criamos um citomegalovírus que gera uma resposta imune
semelhante (em humanos), mas que foi atenuado ao ponto em que acreditamos que
ele é totalmente seguro."
Tal vacina teria que receber o respaldo das autoridades regulatórias. O
pesquisador disse que, se isso ocorrer, espera que os primeiros testes clínicos
em humanos aconteçam nos próximos dois anos.
Andrew Freedman, médico da Universidade de Medicina de Cardiff, vê com
otimismo a nova vacina.
"O teste sugere que vacinas profiláticas – criadas para prevenir
uma infecção – que usam vetores de citomegalovírus podem se revelar abordagens
promissoras para combater o HIV."
"Apesar de não prevenir a infecção inicial, ela pode levar a uma
erradicação posterior, em vez de termos um estabelecimento crônico da
infecção."
Texto em PDF:
Disponível em <
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/09/130909_vacina_hiv_macacos_mdb.shtml
> Acesso dia 30 de setembro de 2013.

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