Ciência
– Mundo Cientifico –
Por que a China já é vista como eldorado da ciência
Por BBC Brasil
14 de outubro de
2013
Um novo relatório sugere que a China passe a ser vista como uma terra de
oportunidades científicas, e não apenas um país fabricante de produtos
manufaturados.
Uma pesquisa do centro de estudos britânico Nesta argumenta que o setor
chinês de ciência já é "grande demais para ser ignorado".
O país gasta cerca de US$ 500 milhões em pesquisas por dia e emprega um
quarto da força de trabalho do setor no mundo.
De posse do relatório, o ministro das Finanças britânico, George
Osborne, disse nesta terça-feira que os britânicos tendiam a ver a China como
um grande "sweatshop" (fábrica com condições de semiescravidão).
Osborne disse a um programa de TV que o gigante asiático "está na
vanguarda da medicina e da alta tecnologia."
A ofensiva do ministro, em visita oficial à China, tem como claro
objetivo atrair negócios e recursos chineses para a cambaleante economia da
Grã-Bretanha.
Investimentos
extraordinários
O estudo da Nesta compila dados impressionantes:
·
A China tem o supercomputador mais rápido do mundo, o Tianhe-2. Seus
chips são feitos pela Intel, mas foram desenvolvidos por pesquisa chinesa.
·
Cientistas chineses criaram o material mais leve já conhecido, uma
espécie de gel aerossol composto por carbono e grafeno.
·
Em apenas 14 anos, a China deixou de ter apenas 1% da capacidade de
sequenciamento genético do mundo para ter quase 50%.
Um fator-chave identificado no relatório da Nesta é o tamanho
extraordinário de gastos do país em pesquisa - cerca de US$ 163 bilhões ano
passado, um aumento de 18% em relação ao ano anterior, com novos saltos
planejados.
Isso indica que a ciência passa a ser vista como um elemento central na
estratégia de longo prazo de crescimento da China.
Quantidade e
qualidade?
A China também se destaca no número de patentes solicitadas e
garantidas, na educação superior (em 2020, calcula-se que o país possa produzir
mais formandos do que os EUA e a União Europeia juntos) e em publicações
científicas (no mesmo ano,o país deverá passar a publicar mais artigos
científicos do que os EUA).
Mas é claro que quantidade não significa qualidade. O estudo também
observa uma estimativa recente de que apenas 10% dos chineses formados em
engenharia atendem aos padrões internacionais de empregabilidade.
Então, a China é realmente um líder mundial em ciência ou ainda uma
exploradora de mão de obra barata? Ou um pouco dos dois?
A resposta é complicada, de acordo com o relatório. A imagem da China
como uma superpotência científica pode ser válida, mas é apenas uma das várias
maneiras diferentes de se ver o país:
·
A China também tem sido chamadoa de um "seguidor rápido" -
capaz de deglutir avanços dos outros, de se aproximar rapidamente, mas sem
jamais assumir a liderança.
·
Outros dizem que a capacidade da China de avançar será sempre sufocada
pelo comando único do Partido Comunista, que inibe a interação vital à
inovação.
·
Outra perspectiva é de que a China é impulsionada pelo que a Nesta chama
de "tecno nacionalismo", um desejo de não apenas ser competitivo, mas
também de assegurar a "vantagem absoluta" por meio de meios lícitos
ou ilícitos.
·
A quarta abordagem é a de que a China enxerga os desafios extremos das
mudanças climáticas, da poluição e da escassez de recursos, e seus
investimentos em pesquisa são concebidos para produzir soluções de longo prazo,
com benefícios globais.
Os próprios autores argumentam que a China deve ser vista como "um
estado de absorção", assimilando tecnologias estrangeiras, mas que, em
seguida, agrega valor e novidade a inventos.
Corrida do ouro
O relatório também reconhece um lado mais sombrio - os temores das
empresas de tecnologia de roubo de sua propriedade intelectual.
Um líder empresarial disse à Nesta que "ainda não se sente pronto
para desenvolver as 'joias da coroa' (os produtos mais importantes) da empresa
na China". Mas, ao mesmo tempo, ele apoia um compromisso de longo prazo
com o país asiático.
Globalmente, o relatório conclui que "o maior risco para as
empresas é de se concentrar muito sobre pontos negativos - e perder as enormes
oportunidades que a China representa" - e pede a colaboração mais próxima
de empresas e governos.
Pessoas que tentaram parcerias e tiveram suas ideias ou tecnologias
roubadas podem considerar essa perspectiva excessivamente ingênua.
Mas um novo tipo de corrida do ouro da ciência está em curso na China -
e, como em qualquer corrida do tipo, há fortunas a serem feitas e perdidas.
Texto em PDF:
Disponível em <
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/10/131015_ciencia_china_nesta_rp.shtml
> Acesso dia 16 de outubro de 2013.

Nenhum comentário:
Postar um comentário