Ciência
– Mundo Cientifico –
Depressão acelera envelhecimento de células, diz estudo
Por BBC Brasil
12 de novembro de 2013
Mais de um terço dos voluntários estava com depressão
Um estudo de cientistas holandeses e americanos sugere que a depressão
pode acelerar o processo
de envelhecimento
das
células.
Exames de laboratório mostram que as células parecem ser biologicamente
mais velhas em pessoas que sofreram ou sofrem casos graves de depressão.
Os pesquisadores detectaram essas diferenças em uma estrutura da célula
chamada telômero. O comprimento destas estruturas é usado para medir o
envelhecimento
celular.
Os especialistas já sabiam que as pessoas que sofrem de depressão têm um
risco maior de desenvolver doenças ligadas ao
envelhecimento
,
como alguns tipos de câncer, diabetes, obesidade e doenças cardíacas.
Isso pode derivar, em parte, de um estilo de vida não muito saudável,
que incluiria também o consumo de bebidas alcoólicas e o sedentarismo.
O estudo foi publicado a revista especializada Molecular
Psychiatry.
Telômeros
curtos
Josine Verhoeven, do Centro Médico da Universidade VU, na Holanda, junto
com colegas americanos, recrutou 2.407 pessoas para participarem do estudo.
Mais de um terço desses voluntários sofria de depressão; um terço tinha
passado por um caso grave de depressão; e o restante nunca havia tido a doença.
Os voluntários deram uma amostra de sangue para os pesquisadores
analisarem, em busca de sinais
de envelhecimento
celular.
Eles buscavam alterações nos telômeros.
Os telômeros protegem os cromossomos, que contêm o DNA. A função do
telômero é proteger os cromossomos de possíveis danos e, à medida que as
células se dividem, eles vão ficando cada vez mais curtos.
Medir o tamanho destes telômeros é uma forma de avaliar o
envelhecimento
celular.
As pessoas que estavam com depressão ou já tinham sofrido com a doença
no passado tinham telômeros bem mais curtos do que os que nunca tinham passado
por isso.
Essa diferença era aparente mesmo quando eram levadas em conta
diferenças no estilo de vida, como o fato de alguns voluntários fumarem ou
beberem muito.
Além disso, os pesquisadores descobriram que os pacientes com casos de
depressão bem mais graves ou crônicos tinham os telômeros mais curtos entre
todos os voluntários.
Reação à
angústia
Verhoeven e os outros cientistas especulam que os telômeros mais curtos
podem ser uma consequência da reação do corpo à angústia causada pela
depressão.
"Esse estudo em larga escala fornece provas convincentes de que a
depressão está associada a muitos anos de envelhecimento biológico,
especialmente entre aqueles que sofrem com os sintomas mais graves e
crônicos", afirmaram os cientistas no estudo.
Ainda não está claro se esse processo
de envelhecimento
pode
ou não ser revertido.
A médica britânica Anna Phillips, especialista da Universidade de
Birmingham, pesquisou os efeitos do estresse no comprimento dos telômeros.
Segundo a médica, o comprimento dessa estrutura celular não fornece uma
previsão consistente para outros problemas, como o risco de morte.
Phillips também afirmou que é provável que um grande problema de saúde
relacionado à depressão - não um episódio ou uma vida inteira de sintomas
moderados da doença - desencadeie a redução dos telômeros.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/11/131112_depressao_envelhecimento_celulas_fn.shtml
> Acesso dia 13 de novembro de 2013.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário