Ciência
– Mundo Cientifico –
Livro mais caro do mundo é vendido por R$ 32,6 milhões
Por BBC Brasil
26 de novembro de 2013
Leiloado por US$ 14,2 milhões (equivalente a R$ 32,6 milhões) em Nova
York, o Bay Psalm Book tornou-se o mais caro livro impresso já
vendido no mundo.
O "Livro de Salmos da
Baía", em tradução livre, é de 1640. Trata-se do primeiro livro a ser
impresso em território americano. A preciosidade foi arrematada pelo banqueiro
e bilionário americano David Rubenstein. Ele está na Austrália e fez os lances
por telefone.
Apesar do recorde, o valor ficou
aquém das expectativas. Acasa de leilões Sotheby's
estimava que o valor mínimo seria de US$ 15 milhões (aproximadamente R$ 34,4
milhões). Especialistas apostavam, no entanto, que o livro pudesse atingir até
US$ 32 milhões (R$ 73 milhões).
Hoje só se conhece a existência de 11
cópias do livro. Duas delas pertencem à Old South Church, de Boston, que
decidiu vender uma das edições.
O recorde anterior, certificado pelo Guinness
World Records, pertencia a uma cópia rara do Birds of America("Aves
da América", em tradução livre), de John James
Audubon. Publicado pela primeira vez entre 1827 e 1838, o livro teve uma de
suas cópias vendidas por US$ 11,5 milhões (R$ 26,4 milhões) há três anos.
Em 1947, uma cópia do Bay Psalm Book também foi
leiloada por valor recorde, US$ 151 mil (aproximadamente R$ 344 mil). O leilão
superou os valores pagos por uma Bíblia do Antigo Testamento de Gutenberg e por
um First Folio (a primeira coleção das peças teatrais de
Shakespeare).
História
A importância do Bay Psalm Book não se dá apenas por
sua extrema raridade, mas também por o objeto ser um símbolo da identidade dos
Estados Unidos.
Poucos anos depois da
"grande
migração" puritana da Inglaterra para a baía de Massachusetts em 1630, os
colonos se comprometeram com um ambicioso projeto, o de escrever e imprimir seu
próprio livro de Salmos.
O 'Birds of America' é atualmente o
livro mais caro vendido em leilão
Eles já tinham livros de Salmos, mas, sendo reformistas que abraçaram o
canto congregacional, queriam uma tradução do Livro dos Salmos que fosse mais
próxima do original em hebraico e escrita em verso.
Uma máquina de impressão - provavelmente obtida clandestinamente para
burlar leis em vigor na Inglaterra - chegou de Londres em 1638, juntamente com
papel suficiente para imprimir centenas de livros.
Embora o homem que levantou fundos para a compra da máquina e do papel,
o reverendo Jose Glover, tenha morrido durante a viagem, sua viúva se
estabeleceu em Cambridge, Massachusetts, onde abriu a editora.
A máquina era operada por Stephen Day, um trabalhador escravo e um
serralheiro de profissão. Em 1640, ele imprimiu cerca de 1,7 mil cópias do
livro de 300 páginas Whole Book of Psalmes Faithfully Translated into
English Metre, vulgarmente conhecido como o Bay Psalm Book.
O volume foi colocado em uso por congregações em toda a colônia. Apesar
do texto ter sido reimpresso mais de 50 vezes ao longo do século seguinte, a
maior parte das primeiras edições do livro ficou gasta depois de algumas
décadas.
"É um livro que não foi criado para ser luxuoso, suntuoso ou
precioso", diz Derick Dreher, diretor da Biblioteca Rosenbach na
Filadélfia, uma das poucas instituições que possuem uma cópia do Bay
Psalm Book.
"Como as congregações para as quais o livro foi criado o usavam até
gastar, muitas poucas cópias sobreviveram."
Livros e
manuscritos valiosos
·
'Codex Leicester': Livro de anotações de Leonardo da Vinci escrito à
mão. Datado do século 16, foi vendido por US$ 30,8 milhões (R$ 70 milhões) em
1994.
·
'Rothschild Book of Hours': Livro ilustrado de orações escrito à mão.
Datado do início do século 16, foi vendido por US$ 14,3 milhões (R$ 32 milhões)
em 1999.
·
'Magna Carta': Amplamente distribuído, porém escrito à mão e não
encadernado. Uma cópia do século 13 foi vendida por US$ 21,3 milhões (R$ 48
milhões) em 2007.
·
'Birds of America': Livro de desenhos coloridos feitos à mão pelo
naturalista e pintor John James Audubon. Datado do início do século 19, foi
vendido por US $ 11,5 milhões (R$ 26 milhões) em 2010.
"Nós temos documentos que datam do século 19 que falam sobre o que
as pessoas estavam dispostas a fazer para conseguir uma cópia do livro",
conta Dreher.
Críticas
O Bay Psalm Book ganhou prestígio apesar de inicialmente ter sido
criticado por sua qualidade.
Há 200 anos, o editor e autor Isaiah Thomas notou que o livro estava
"repleto de erros de digitação" e "não tem um bom acabamento. O
responsável por compor o livro não devia estar totalmente familiarizado com a
pontuação", disse.
As estranhas traduções do Bay Psalm Booktambém atrairam
críticas.
Os estudiosos e pastores que conceberam o livro reconhecem no prefácio
que, "ao traduzir as palavras hebraicas para a língua inglesa, priorizaram
a consciência e não a elegância, e a fidelidade em vez de poesia."
John Hoover, ex-presidente da Sociedade Bibliográfica da América, diz
que o Bay Psalm Book, que inclui algumas letras hebraicas, reflete
o alto nível de erudição da colônia.
Significado
A Old South Church decidiu manter sua segunda cópia do 'Bay Psalm Book'
Em 1700, Boston já tinha ultrapassado as inglesas Oxford e Cambridge e
se tornado o segundo centro mais ativo em publicação de livros em inglês depois
de Londres.
Embora os puritanos da Baía de Massachusetts não terem sido
separatistas, seu espírito pioneiro e sua busca pela liberdade são associados à
luta pela independência dos Estados Unidos (1776) e à identidade da nova nação.
"Foi um ato de independência ir a Massachusetts e criar sua própria
sociedade com sua própria versão do Cristianismo. Acho que se pode desenhar uma
linha direta com os eventos de 1776", diz David Redden, chefe do
departamento de livros da Sotheby's.
O significado histórico do Bay Psalm Book é fortemente
sentido na Old South Church, onde Benjamin Franklin, um dos patriarcas dos
Estados Unidos, foi batizado, e onde as reuniões que deram início ao Tea Party
de Boston aconteceram.
Isso tornou difícil a decisão de leiloar uma cópia, mas os líderes da
igreja argumentaram que era necessário para pagar custos operacionais, e
receberam forte apoio da congregação em uma votação.
"A questão é que nós não somos um museu", diz Tom Grant,
membro da administração da igreja. "Nosso compromisso é com a missão, com
a justiça social, e em servir o povo de Deus. E guardar um tesouro não é
promover a missão da igreja."
Texto em PDF:
Disponível em <
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/11/131126_bay_psalm_book_livro_mm.shtml
> Acesso dia 28 novembro de 2013.

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