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assustado com ‘maremoto’ de câncer e custos fogem do controle, diz OMS
Por BBC Brasil
04 de fevereiro de 2014
A Organização Mundial da Saúde (OMS)
advertiu nesta terça-feira que o mundo corre o risco de enfrentar um
"maremoto" de casos de câncer nos próximos anos, e os gastos com otratamento da
doença estão ficando descontrolados em todo o mundo.
Segundo o alerta da entidade, feito no Dia Mundial do Câncer, o número
de casos da doença deve chegar a 24 milhões até 2035, mas metade deles pode ser
prevenido. Para tanto, existe uma "necessidade real" de ampliar os
esforços preventivos, combatendo tabagismo, a obesidade e o alcoolismo.
No Brasil, um levantamento divulgado
pelo Ministério da Saúde no ano passado indica que
haverá 576.580 casos diagnosticados apenas neste ano. O relatório prevê que os
tipos com maior incidência serão o câncer de pele, de próstata e de mama.
Um estudo divulgado em 2013 no periódico Lancet Oncology,
previa um aumento de 38,1% nos casos de câncer no país ao longo desta década,
passado de 366 mil casos em 2009 para mais de 500 mil em 2020.
No mundo, estima-se que 14 milhões de
pessoas sejam diagnosticadas todos os anos com câncer, segundo a OMS. A
previsão é de que esse número aumente para 19 milhões em 2025 e 24 milhões em
2035, com os países emergentes concentrando os novos casos.
Hábitos
Em seu Relatório Mundial do
Câncer 2014, a OMS diz que além da combinação de obesidade e sedentarismo,
do álcool e do
fumo, outros fatores associados ao câncer que poderiam ser prevenidos são:
·
A radiação (solar e de scanners médicos);
·
A poluição
atmosférica;
·
Poluição atmosférica e outros fatores ambientais;
·
Adiar a gravidez para quando as mulheres têm mais idade, ter menos
filhos e não amamentar.
Para Chris Wild, diretor da agência
internacional da OMS para apesquisa sobre o câncer,
disse que o "fardo global do câncer está se tornando mais pesado e mais
evidente, principalmente devido ao envelhecimento e crescimento da
população".
"Se verificarmos o custo de tratamento do câncer, ele está fugindo
do controle até em países com renda alta. Prevenção é algo absolutamente
crucial e vem sido um tanto negligenciada."
·
Brasil
Questionado pela BBC Brasil, o Ministério da Saúde informou que o investimento
em assistência a pacientes com câncer cresceu 26% em dois anos.
"O recurso alocado para o diagnóstico e tratamento da doença passou
de R$ 1,9 bilhão, em 2010, para R$ 2,4 bilhões, em 2012. Além desses recursos,
estão reservados ao setor, para o período de 2011 a 2014, R$ 4,5 bilhões em
programa estratégico de prevenção do câncer de colo do útero e de mama, que
prevê também o fortalecimento da rede de assistência e diagnóstico
precoce", disse o ministério em nota.
O ministério não forneceu estimativas sobre o número de brasileiros que
possam ser vítimas do câncer nos próximos anos. Informou, no entanto, que com o
aumento de recursos "foi possível ampliar em 17,3% o número de sessões de
radioterapia" e em "14,8% as de quimioterapia".
Prevenção
Bernard Stewart, um dos editores do relatório da OMS, diz que a
prevenção tem "um papel crucial no combate ao maremoto de câncer que
estamos vendo surgindo em todo o mundo".
Ele explicou que o avanço da doença está associado, em muitos casos, aos
hábitos das pessoas e citou o exemplo dos australianos que costumam tomar sol
nas praias "até que cozinham de forma homogênea em ambos os lados".
"Em relação ao álcool, por exemplo, nós estamos cientes dos seus
graves efeitos, sejam eles acidentes de carro ou agressões. Mas há um problema
que não é discutido simplesmente porque não é reconhecido, especialmente
envolvendo o câncer."
"Há coisas que devem estar na pauta de discussões: modificar a
disponibilidade do álcool, a rotulagem do álcool, a promoção do álcool e o preço
do álcool", afirmou.
Stewart disse que um argumento similar pode ser apresentado em relação
ao açúcar, que impulsiona a obesidade, que por sua vez eleva o risco de
tumores.
Texto em PDF:
Disponível em <
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140204_cancer_diamundial_rg.shtml
> Acesso dia 04 de fevereiro de 2014,
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