Ciência
– Mundo Cientifico –
Indiano cria microscópio de baixo
custo impresso em papelão
Por BBC Brasil
12 de março de 2014
Em teoria, um microscópio é um
equipamento tão complicado que, a princípio, parece ser impossível fabricar um
deles apenas imprimindo o numa folha de papelão e, ainda por
cima, a um custo final de R$ 1,20.
Mas foi exatamente isso que fez o
bioengenheiro indiano Manu Prakash, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos – e sua
invenção pode salvar
vidas em países
em desenvolvimento, onde faltam equipamentos para diagnosticar (e tratar) doenças
corretamente.
As peças do microscópio de Prakash, o Foldscope, são impressas em
papelão. Depois, são destacadas e montadas seguindo um sistema de dobraduras e
encaixes, como num origami.
O Foldscope – que tem o formato de
uma tira, diferente dos microscópios convencionais - ainda tem peças como
lentes, uma pequena
lâmpada de LED e uma bateria semelhante à que é usada em relógios.
O microscópio é montado em sete minutos, e seu custo total é de US$ 0,50
(R$ 1,20).
A bateria do Foldscope funciona por até 50 horas, e o equipamento
permite ampliar uma imagem em até 2 mil vezes.
Prakash e sua equipe criaram 12 modelos diferentes, cada um feito para
diagnosticar uma doença específica. Todos vêm com um projetor embutido para que
suas imagens possam ser analisadas por várias pessoas ao mesmo tempo.
Resistente
Por ser impresso, ele pode ser fabricado em larga escala. Além disso, é
muito resistente.
"Você pode molhá-lo, pisar e pular nele e jogá-lo da altura de um
prédio de três andares", diz Prakash.
A ideia surgiu a partir das viagens do cientista e seus alunos a países
em desenvolvimento, onde eles ficaram impressionados com a falta de
infraestrutura para identificar doenças como a malária.
"No Quênia, não há remédios suficientes contra malária, mas ainda
assim eles são distribuídos mesmo que a doença não tenha sido
diagnosticada", afirma Prakash.
Além do desperdício, o uso
indiscriminado dos medicamentos faz comque os parasitas
que causam a doença fiquem imunes aos tratamentos disponíveis. Daí a
importância dos microscópios, que permitem identificar a presença do mal nos
pacientes.
Em novembro, a Fundação Bill & Melinda Gates premiou
Prakash com US$ 100 mil (cerca de R$ 235 mil) para que ele teste o Foldscope na
Índia, na Tailândia e em Uganda.
O cientista agora selecionará 10 mil voluntários, entre médicos, alunos
de medicina, estudantes de nível primário e secundário e pesquisadores, para
testar seu invento.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/03/140311_microscopio_papel_rb.shtml
> Acesso dia 12 de março de 2014.

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