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Tratamento promissor contra o câncer usa parasita intestinal dos gatos
Por Discovery Brasil
18 de julho de 2014
Um parasita presente nas fezes dos gatos é a base de um
tratamento que combate o câncer em ratos de laboratório, incluindo melanomas
agressivos e tumores no ovário, segundo testes preliminares.
O Toxoplasma gondii, um protozoário unicelular que se
desenvolve no intestino dos felinos, pode provocar doenças em gatos e seres
humanos. Mas os cientistas do Centro Médico de Dartmouth-Hitchcock encontraram
uma forma de modificar o parasita, cuja nova “versão” teria uma impressionante
ação anticancerígena.
“Descobrimos que este parasita é
capaz de estimular as respostas imunológicas exatas para combater o câncer”,
comenta David J. Bzik, professor de microbiologia e imunologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de Dartmouth.
“A biologia desse parasita é diferente da de outros
microorganismos de uso terapêutico, que mantêm contato apenas com a parte
externa das células imunológicas”, explica a pesquisadora-associada Barbara
Fox. “Ao ganhar acesso ao interior das células imunológicas, essa cepa
modificada do T. gondii reprograma
a ação natural do sistema imunológico para destruir células tumorais e
cancerosas”.
O parasita mutante foi apelidado
de CPS. Testes de laboratório mostram que ele não se reproduz dentro do
organismo. Mesmo se o sistema imunológico do receptor estiver debilitado, como
acontece com frequência durante a quimioterapia, o CPS ainda preserva sua ação
anticancerígena.
“Os cânceres agressivos são como
trens em alta velocidade,” compara Bzik. “O CPS é como um super-herói
microscópico, que detém o avanço dos trens e os encolhe até fazê-los
desaparecer”.
Durante os testes de laboratório,
Bzik e seus colegas usaram o CPS para tratar casos extremamente agressivos de
melanoma e câncer ovariano em ratos, que apresentaram um índice de
sobrevivência sem precedentes.
Outra característica notável
desta nova arma contra o câncer é que o CPS pode ser adaptado a um paciente
específico.
“Nos futuros tratamentos
clínicos, acreditamos que os parasitas poderão ser inseridos em células
isoladas do paciente. As células ‘Cavalo de Troia’, contendo o CPS, seriam
injetadas como uma vacina imunoterapêutica, gerando as reações necessárias para
erradicar as células cancerosas e proporcionar imunidade duradoura contra
recidivas da doença”.
Os pesquisadores ainda tentam
entender por que o CPS é tão eficiente, e continuarão a analisar seus
mecanismos e alvos moleculares.
“A imunoterapia com CPS é
incrivelmente promissora na criação de novos tratamentos e vacinas contra o
câncer”, conclui Bzik.
Se depender dos avanços da
ciência nesse campo, as futuras gerações talvez vejam as ninhadas de gatinhos
sob uma ótica inteiramente nova.
Texto em PDF:
Disponível em < http://noticias.discoverybrasil.uol.com.br/tratamento-promissor-contra-o-cancer-usa-parasita-intestinal-dos-gatos/
> Acesso dia 30 de julho de 2014.

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