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Brasileiros consomem
mais que o dobro de sal recomendado
Por BBC
13 de agosto de 2014
Apesar de altos consumo, muitos brasileiros acreditam comer sal em
moderação, indica IBGE
Apesar do alardeado resultado de um acordo entre o governo e a
indústria, que reduziu o teor de sal nos alimentos, o consumidor brasileiro
ainda consome mais que o dobro da substância recomendado pela Organização
Mundial da Saúde (OMS).
Os altos índices de presença de sódio - elemento contido no sal -
preocupam o governo brasileiro e motivam iniciativas de saúde pública para
monitorar o consumo, reduzir os índices já na fabricação e promover mudanças de
hábitos.
Cerca de metade dos brasileiros (48,6%) avalia seu consumo diário de sal
como "médio", segundo dados compilados pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) através a pesquisa Vigitel 2013 (Vigilância de
Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).
A percepção equivocada preocupa médicos e autoridades, já que o país
estima que o consumo médio do brasileiro seja de 12 gramas de sal por dia, mais
do que o dobro dos 5 gramas diários recomendados pela OMS.
Não por acaso, o governo estima que um quarto da população sofra de
hipertensão arterial, uma das consequências do excesso de sódio na dieta.
O excesso de sal na alimentação está ligado ao aumento no risco de
doenças como hipertensão, doenças cardiovasculares e doenças renais.
Doenças crônicas não transmissíveis, como essas, são responsáveis por
até 63% das mortes no mundo e 72% no Brasil, e um terço dos óbitos ocorre em
pessoas com menos de 60 anos, indica o Ministério da Saúde.
Acordos
O consumo moderado de cloreto de sódio, ao lado de uma alimentação
saudável e prática de exercícios físicos, já é uma recomendação tradicional do
Ministério da Saúde e dos médicos.
A partir de 2011 o governo federal passou também a celebrar acordos com
a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) para reduzir
gradativamente as quantidades de sal presentes em alimentos industrializados.
O governo divulgou o primeiro resultado desta iniciativa na terça-feira.
Entre 2011 e 2012, cerca de 1,3 mil toneladas de sódio foram retiradas apenas
de três classes de alimentos (pães de forma, bisnaguinhas e massas
instantâneas).
O acordo possui outras 13 categorias de alimentos, ainda não testados.
Em 2012, outro pacto incluiu na lista temperos, caldos, cereais matinais e
margarinas vegetais, e mais dois documentos foram assinados posteriormente,
agregando ao grupo empanados, hambúrgueres, três tipos de linguiças, mortadela,
apresuntados, queijo mussarela, requeijão e sopas instantâneas.
A meta é reduzir em 28,5 mil toneladas a presença de sódio na mesa dos
brasileiros até 2020, para se adequar à recomendação da OMS.
Em entrevista à BBC Brasil, o presidente da Abia, Edmundo Klotz,
comentou o processo. "Não foi fácil, mas por ser uma redução gradual, ao
longo dos anos, foi possível acompanhar e amadurecer a ideia na
indústria", disse o empresário.
"Em 2007 já havíamos reduzido as gorduras trans, agora o sódio. No
futuro serão as gorduras e o açúcar. A tendência é produzirmos alimentos mais
saudáveis", afirmou.
"E há países copiando nosso modelo, que não é de proibição, mas sim
de redução voluntária gradual. Argentina, Chile, e até nações europeias estão
seguindo a ideia."
Educação
nutricional
Para Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da Associação
Brasileira de Nutrologia (Abran), a ideia é muito bem-vinda, e a participação
das indústrias alimentícias dá um peso muito maior à iniciativa.
O especialista, no entanto, diz que há mais medidas que podem ser
tomadas, sobretudo no campo da educação nutricional.
"O caráter voluntário desse programa é bom, porque a história
mostra que as proibições não dão certo. Mas podemos fazer mais. Ações nas
escolas, com as crianças, seriam bem-vindas, explicando sobre os malefícios do
sal. As pessoas também deveriam refletir sobre esse hábito de ter o saleiro em
cima da mesa, o que ainda é muito comum no Brasil", avalia.
Ribas relembra que o sal é um mineral importante e que a presença do
iodo, essencial para a saúde da glândula tireoide, é uma razão para o seu
consumo. A questão é o excesso. O especialista chama a atenção para o sal
light, com 50% menos sódio, que já está disponível no mercado brasileiro.
"Cada país tem seus hábitos, seus costumes. Há lugares que
acrescentam molhos, pimentas. No Brasil é o sal. O brasileiro gosta de tudo bem
doce ou bem salgado, acha que assim tem mais sabor. Mas com o tempo a própria
população vai exigir alimentos mais saudáveis."
O Ministério da Saúde e a Abia devem divulgar nos próximos meses os
dados relativos à redução de sódio nos outros alimentos que integram os
acordos.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140812_reducao_sodio_jf_kb.shtml
> Acesso dia 13 de agosto de 2014.

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