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Mais cara e menos danosa, terapia
com prótons abre polêmica na Europa
Por BBC Brasil
02 de setembro de 2014
Tratamento com feixe de prótons causaria menos efeitos colaterais, mas é
mais caro
A busca por um novo tipo de tratamento para um câncer no cérebro está no
centro de uma polêmica sobre o garoto Ashya King, pivô de um incidente
internacional após ser retirado por seus pais de um hospital no sul da
Inglaterra e levado para a Espanha.
O menino, de cinco anos de idade, vinha sendo tratado por conta de um
tumor no cérebro em um hospital de Portsmouth quando, contrariando
recomendações médicas, foi retirado do local por seus pais na última
quinta-feira e levado para fora do país.
A decisão gerou uma busca internacional pelo garoto. Os pais, Brett e
Naghemeh King, foram acusados de "abandono de incapaz" e se encontram
atualmente detidos temporariamente em uma prisão nos arredores de Madri. Ashya
está sendo tratado em um hospital em Málaga.
Em um vídeo divulgado pelo YouTube, a família de Ashya justificou a
ação, dizendo que buscava para o garoto um tratamento conhecido como
"protonterapia", ou terapia com feixe de prótons, um tipo de
tecnologia que não seria oferecida a ele pelo sistema de saúde público
britânico, o NHS.
Segundo relatos obtidos pela BBC, o casal aparentemente pretendia vender
um apartamento de veraneio que possui na Espanha para poder custear a terapia
em um centro médico na República Tcheca.
Feixe de Prótons
Considerado por alguns especialistas como uma alternativa mais efetiva e
que gera menos efeitos colaterais do que a radioterapia convencional - que
utiliza feixes de fótons, ou raios-X - a protonterapia é também
consideravelmente mais cara.
Atualmente, só é oferecida pelo sistema de saúde público britânico a
pacientes que sofrem de câncer ocular, embora eventualmente pessoas que sofram
de outras enfermidades também possam ter a aplicação da terapia aprovada.
Entre as maiores vantagens do tratamento com feixe de prótons está o
fato de que ele atinge tumores de forma mais concentrada do que a radioterapia
tradicional. Além disso, a ação dos prótons cessa após atingir seu alvo
principal, afetando muito menos as células saudáveis e, consequentemente,
causando menores danos a tecidos e abrandando os efeitos colaterais.
De acordo com Matthew Crocker, consultor em neurocirurgia clínica St.
George's Healthcare, em Londres, a radioterapia convencional tem uma série de
"efeitos colaterais, em parte devido ao modo como a energia é
distribuída", enquanto a protonterapia pode ser potencialmente
bem-sucedida no tratamento de tumores no cérebro e no sistema nervoso central.
Em um artigo publicado no jornal britânico The Guardian, o
físico Jon Butterworth, da University College London, explica que essa
diferença entre as terapias está nas características da radiação utilizada em
cada uma delas.
Ashya e seu irmão Naveen King (à dir.):família fugiu com garoto em busca
de tratamento contra câncer.
Os fótons empregados na radioterapia tradicional são partículas muito
leves – sem massa – o que faz com que acabem afetando partes do corpo ao redor
dos tumores que têm como alvo.
Já os prótons são partículas mais pesadas, que perdem energia mais
rapidamente. Quando direcionados diretamente a tumores, eles acabam por atingir
de maneira mais acentuada os tecidos doentes, causando danos menores a outras
partes.
Preço
Mas embora existam evidências de que a protonterapia possa ser
especialmente benéfica no tratamento de crianças com câncer – cujos corpos são
especialmente sensíveis à radiação –, assim como em casos mais raros de tumores
no cérebro, a utilização do feixe de prótons também tem limitações.
De acordo com um artigo publicado por Keith Epstein na revista
científica BMJ, a terapia mostrou-se menos eficaz no tratamento de
cânceres de próstata, levando inclusive a efeitos colaterais severos.
Mas aquele que talvez seja o maior empecilho para a adoção generalizada
da terapia é o seu preço. No caso do tratamento de cânceres de próstata,
segundo Epstein, a utilização do feixe de prótons é duas vezes mais cara que a
radioterapia convencional e quatro ou cinco vezes mais cara que uma cirurgia.
De acordo com o NHS, o gasto médio da terapia de prótons por paciente é
de cerca de 100 mil libras, o equivalente a R$ 371 mil.
Independente disso, o caso de Ashya King continua a mobilizar opiniões
na Grã-Bretanha.
Nesta terça-feira, o vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, fez
um apelo para que seus pais sejam soltos e reunidos com o garoto, contrariando
a ordem de prisão contra o casal obtida pela polícia de Hampshire, o condado
onde fica Portsmouth.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2014/09/140902_ashya_cancer_cq.shtml
> Acesso dia 02 de setembro de 2014.

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