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A empresa que fatura meio bilhão de reais
com ‘iscas’ sedutoras na internet
Por BBC Brasil
03 de outubro de 2014
Talvez você nunca tenha ouvido falar sobre uma empresa chamada
Taboola, mas o que ela faz já pode ter te irritado várias vezes.
"Pílula de emagrecimentocontroversa varre o Reino Unido", "15
inconvenientes de ser mulher", "Nove pessoas que você não vai
acreditar que existem", "Perigo! Não assista isso com sua
mulher!". Se você já viu qualquer dessas chamadas 'pulando' em cima de
você na internet, conhece bem o
trabalho da empresa.
A Taboola é uma das principais
fornecedoras de reportagens patrocinadas em sites de notícias e fofocas.
Quando você chega à parte inferior
das páginas, há fotos e links para três, seis ou oito histórias externas,
geralmente sob os títulos "Mais histórias da internet" ou "Você
pode gostar".
Na maioria das vezes os títulos que
tentam fazer você clicar não são muito intelectuais, e as fotos que os
acompanham costumam mostrar celebridades ou mulheres de biquíni (ou ambos).
Críticos têm descrito o conteúdo da
Taboola (e seus rivais) como "spam", "click-isca",
"degradante", "representando uma corrida para o fundo do
poço" e outros termos depreciativos.
No entanto, 400 milhões de pessoas no
mundo clicam nos links da Taboola a cada mês, e o negócio, fundado em 2007,
agora tem um faturamento de US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 610 milhões)
por ano.
Histórias populares
A Taboola, que é essencialmente uma
empresa de publicidade digital hi-tech, foi criada em Israel por Adam Singolda,
que havia trabalhado por quase sete anos como um oficial em uma unidade de
criptografia de elite das Forças de Defesa de Israel (IDF).
Apesar de a tecnologia usada pela
empresa ser sofisticada, o modelo de negócios da Taboola é simples. Sites de
notícias não têm que pagar para usar seus links e recebem uma parcela da
receita de publicidade que a Taboola ganha do anunciante por trás de cada história
promovida.
Para muitos grupos de jornais que
estão observando as vendas de jornais de papel despencarem, a Taboola
proporciona uma nova fonte de receita digital, ajudando a sustentar seus sites.
Sites de notícia não pagam para usar
conteúdo e recebem parte da verba publicitária
Mas por que o conteúdo da Taboola é
tão irritante?
Singolda, de 32 anos,
presidente-executivo da empresa, brinca que somos os únicos culpados.
"O problema é que, para cada
pessoa que odeia uma matéria, muitas outras adoram e clicam nela", diz
ele.
"Então nós registramos como uma
história popular e deixamos em cima, para que mais pessoas possam vê-la. Se
ninguém tivesse clicado nela, ou tuitado sobre isso, teríamos removido o
link."
Ele acrescenta: "Um jornalista
uma vez reclamou que sempre via histórias sobre [a estrela de reality show] Kim
Kardashian no Taboola. Então eu perguntei se ele já havia clicado nelas, e ele
disse que sim. Respondi: 'Então por que está reclamando comigo?"
No entanto, a Taboola parece ter
considerado a crítica, pois há um ano introduziu uma ferramenta para permitir
que as pessoas removam de suas páginas histórias que não gostam.
E, contanto que um leitor de um site
de notícias em particular não remova os cookies que
reconhecem quem acessa o site, o software da Taboola vai lembrar suas
preferências.
Então, se alguém clicar uma vez para
remover um link de uma reportagem sobre Kim Kardashian, esta deve ser a última
vez que eles a veem via Taboola.
Singolda insiste que o software da
empresa está ficando cada vez mais sofisticado na forma de proporcionar às
pessoas o conteúdo adicional que elas podem querer.
Se alguém lê muitas matérias sobre
vinho, a Taboola tentará fornecer matérias patrocinados relacionadas a vinho.
Liderança do
Exército
Embora Singolda tenha tido a ideia
para o Taboola após deixar o Exército, ele diz que o serviço militar
desempenhou um papel vital, pois lhe deu formação e experiência gerencial.
Programador talentoso e menino
prodígio em matemática desde criança, foi escolhido para o programa de
treinamento de informática do IDF assim que iniciou seu serviço militar obrigatório.
Depois, se formou como melhor aluno da turma na classe de treinamento para
oficiais.
Com 32 anos, Adam Singolda comanda
empresa com presença mundial
Com 20 anos, liderava uma equipe de
soldados que fazem trabalho de criptografia - aquele que permite, por exemplo,
que um general israelense use o celular de forma segura.
"Não havia dinheiro no mundo que
você pudesse pagar para ter essa experiência", diz ele.
"Eu aprendi como liderar uma
equipe e o que fazer para que todos trabalhassem juntos. E, como era o
Exército, eu não poderia dar a ninguém qualquer recompensa financeira. A única
maneira de levar as pessoas a fazer coisas era inspirá-los."
O Exército também permitiu que
Singolda conhecesse pessoas que foram com ele para o Taboola.
Ele teve a ideia para a empresa após
deixar o Exército, quando morava com seus pais.
Conseguiu o apoio de um
"investidor anjo" e, com alguns funcionários e nenhum volume de
negócios por quatro anos, desenvolveu o software antes mesmo de o Taboola ser
lançado para os clientes.
Hoje ele tem 200
funcionários e seu conteúdo é usado por sites de notícias famosos como o USA
Today e o Huffington Post.
Embora a sede da Taboola seja em Nova
York, a empresa tem um grande escritório em Tel Aviv. É uma entre muitas
empresas de alta tecnologia sediadas em Israel.
Singolda diz que Israel é tão forte
em tecnologia por inúmeras razões, incluindo a formação que o serviço militar
proporciona e a cultura empreendedora do país.
E, embora alguns funcionários do
Taboola sejam reservistas das FDI chamados para servir durante o recente
conflito em Gaza, Singolda diz que a empresa não foi afetada.
Em vez disso, a Taboola está tentando
agora uma novo investimento multimilionário, pois pretende se expandir para
todo o mundo - com ou sem Kim Kardashian.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141001_empresa_isca_lab
> Acesso dia 06 de outubro de 2014.

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