Ciência -
Mundo Científico –
Estudo
reduz fumo associando cheiro de cigarro a peixe podre durante o sono
Por BBC Brasil
18 de novembro de 2014
A pesquisa, publicada no Journal of Neuroscience, envolveu o
Laboratório do Olfato do instituto, dirigido pelo professor Noam Sobel, e o
Laboratório do Sono.
Foram examinadas as reações de 66 voluntários fumantes a
uma noite de exposição ao cheiro de cigarros intercalado com odores desagradáveis,
de peixes ou ovos podres. Eles diminuíram seu consumo de cigarros em 30%.
De acordo com a diretora da pesquisa, a neurobióloga Anat
Arzi, na semana seguinte à experiência os fumantes informaram que o número de
cigarros consumidos baixou significativamente.
"A pesquisa demonstra que a aprendizagem durante o
sono pode influenciar nosso comportamento quando estamos acordados. Utilizamos
o fumo porque se trata de um comportamento repetitivo e cotidiano, fácil de
medir", disse a pesquisadora à BBC Brasil.
Diferentemente de outros estímulos sensoriais – como luz,
som ou toque –, os cheiros, mesmo sendo fortes, não acordam as pessoas, que
permanecem em um estado de inconsciência. "O olfato humano pode ser uma
via de acesso para a mente adormecida", agregou Arzi.
Inconsciente
No dia seguinte após a experiência, os voluntários não
lembravam dos cheiros aos quais foram expostos, por intermédio de uma máscara,
durante o sono.
No entanto, a associação inconsciente que se estabeleceu
em suas mentes, entre o cigarro e os cheiros desagradáveis, os levou a fumar
menos.
Para que o condicionamento funcione, as associações devem se estabelecer de forma inconsciente.
Os pesquisadores também expuseram os voluntários à mesma sequência de cheiros enquanto estavam despertos, mas nessas condições não se criou a associação inconsciente e não houve mudanças no comportamento - ou seja, o número consumido de cigarros consumidos não baixou.
Os pesquisadores também expuseram os voluntários à mesma sequência de cheiros enquanto estavam despertos, mas nessas condições não se criou a associação inconsciente e não houve mudanças no comportamento - ou seja, o número consumido de cigarros consumidos não baixou.
De acordo com Arzi, a experiência indica que o
condicionamento por intermédio de estímulos de cheiros durante o sono pode se
tornar um método eficaz para combater o vício do fumo.
No entanto, segundo a cientista, "ainda são
necessárias pesquisas mais aprofundadas e específicas, que examinem as reações
a longo prazo".
"Do ponto de vista técnico é possivel construir um
aparelho móvel que poderia ser utilizado por fumantes em suas casas",
acrescentou.
Nesse caso, no futuro os fumantes comprariam um aparelho
desse tipo numa farmácia e passariam as noites sendo expostos a cheiros
intercalados de cigarros e de ovos ou peixes podres. No dia seguinte fumariam
menos.
A hipótese é que, dependendo da intensidade e frequência
desse tipo de tratamento, poderiam até vir a parar de fumar.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141117_fumo_cheiros_pai_gf
> Acesso dia 18 de novembro de 2014.

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