Ciência -
Mundo Científico –
Jornalista Robô Encontra Novo Emprego em
Wall Street
Por MIT Technology Review
12 de janeiro de 2015
Imagem: Software que primeiro foi usado para escrever reportagens já
encontrou outra opção de carreira: elaborar relatórios para gigantes
financeiros e agências de inteligência dos EUA.
O software escritor, chamado Quill, foi desenvolvido pela Narrative Science, uma empresa de Chicago criada em
2010 para comercializar tecnologia desenvolvida na Universidade Northwestern
que transforma dados numéricos em histórias escritas. Não demorou muito para
que Quill estavisse sendo usado para fazer relatórios sobre jogos de beisebol
para TV e outras mídias esportivas on-line e demonstrativos de lucros da
empresa para clientes comoForbes.
O rápido sucessos do Quill também
deu origem a manchetes próprias e o software foi visto por alguns como prova de
que um software inteligente poderia substituir trabalhadores humanos. O CEO da
Narrative Sciences, Stuart Frankel, diz que a publicidade, mesmo que parte dela
tenha sido negativa, foi uma bênção. "Muita gente se sentiu ameaçado pelo
que estávamos fazendo e tivemos muita visibilidade", diz ele. "Isso
levou a muitas perguntas de diferentes setores da indústria e à evolução para
um negócio diferente".
Agora, a Narrative Sciences está
alugando seu software escritor para clientes financeiros, como T. Rowe Price,
Credit Suisse e USAA para escrever relatórios mais detalhados e completos sobre
o desempenho dos fundos de investimento que são, então, distribuídos aos
investidores ou reguladores.
"Deixa de ser o trabalho de
um pequeno exército de pessoas durante semanas e passa a ser apenas alguns
segundos", diz Frankel. "Fazemos documentos de 10 a 15 páginas para
alguns clientes financeiros".
Um investimento de In-Q-Tel,
divisão de investimentos da CIA, levou a empresa a trabalhar a partir de várias
agências de inteligência dos EUA. Questionado sobre esse trabalho, Frankel diz
apenas que "os desafios da comunicação da comunidade de inteligência dos
Estados Unidos são muito semelhantes aos de nossos outros clientes". Ao
todo, hoje Quill produz milhões de palavras por dia.
O que o software produz pode ser
impressionante para um software, mas não pode escrever sem alguns dados
numéricos para inspiração. Ele realiza análises estatísticas nesses dados, à
procura de eventos ou tendências significativas e se inspira em conhecimento
sobre conceitos-chave como falência, lucro e receita e em como tais conceitos
estão relacionados.
O parágrafo abaixo, retirado de
um relatório de investimento, mostra que Quill pode escrever um texto aceitável
para um documento desse tipo, mas ainda parece que foi escrito por um
computador.
"O setor de energia foi o
principal contribuinte para o desempenho relativo, liderado pela seleção de ações
para equipamentos e serviços de empresas de energia. Em termos de contribuintes
individuais, uma posição em equipamentos e serviços de energia a empresa
Oceaneering International foi o maior contribuinte para os retornos. A seleção
de ações também contribuíram para os resultados relativos no setor dos cuidados
com a saúde. Posicionamento em equipamentos de saúde e na indústria de
suprimentos ajudou mais".
Quill é programado com regras de escrita que utiliza para
estruturar frases, parágrafos e páginas, diz Kristian Hammond,
professor de ciência da computação na Universidade Northwestern e
cientista-chefe da Narrative Science. "Nós sabemos como apresentar uma
ideia, como não nos repetir, como resumir", diz ele.
As empresas também podem ajustar
o estilo e uso da linguagem com base no que eles precisam que o Quill escreva.
Ele pode dar ênfase ao positivo nos relatórios para marketing, ou detalhar
exaustivamente em um relatório para fins regulatórios, por exemplo.
Quill também pode escolher uma
“lente” para um texto específico. Ao escrever sobre esportes para um público
que tende a gostar mais de um time em especial, por exemplo, Quill pode
escrever uma história que suaviza o impacto de uma perda.
A Narrative Science não publica detalhes técnicos de como
o Quill funciona. Mas Michael White, um professor adjunto na Universidade
Estadual de Ohio, diz que a sua capacidade de refinar o ângulo de um relatório
o diferencia de exemplos anteriores de tal software.
O que é conhecido como software
de "geração de linguagem natural" tem sido um tema de pesquisa há
anos, mas recentemente começou a mostrar mais potencial comercial, diz White.
"Há uma consciência crescente de que grandes volumes de dados e
visualizações não são realmente úteis se não puderem ser explicados e
transformados em algo relevante", diz White. "Eu diria que finalmente
chegou a hora para a geração de linguagem natural ter sucesso comercial".
Outra empresa que trabalham com a tecnologia é a Arria, uma empresa
com sede no Reino Unido que teve origem em uma pesquisa da Universidade de
Aberdeen, na Escócia. A startup de Pittsburgh chamada OnlyBoth, fundada no
ano passado, planeja lançar seus primeiros softwares escritores mais adiante em
2015.
Todas essas empresas estão, por
enquanto, focadas em atender empresas. Mas Hammond diz que, à medida que
carros, aparelhos de saúde e eletrodomésticos se tornaram conectados à
Internet, os gráficos simples e símbolos que eles usam para se comunicar com os
seres humanos pode não ser suficiente. "A maioria das famílias não será
capaz de usar a ciência de dados para tornar seus termostatos, carros e outros
dados inteligíveis", diz Hammond. "Esta tecnologia vai ser uma voz
que descreve tudo o que tem nos dados".
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.technologyreview.com.br/read_article.aspx?id=46770
> Acesso dia 20 de janeiro de 2015.

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