terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ciência - Mundo Científico – Jornalista Robô Encontra Novo Emprego em Wall Street


Ciência -  Mundo Científico –

Jornalista Robô Encontra Novo Emprego em Wall Street



Por MIT Technology Review

12 de janeiro de 2015


Imagem: Software que primeiro foi usado para escrever reportagens já encontrou outra opção de carreira: elaborar relatórios para gigantes financeiros e agências de inteligência dos EUA.
O software escritor, chamado Quill, foi desenvolvido pela Narrative Science, uma empresa de Chicago criada em 2010 para comercializar tecnologia desenvolvida na Universidade Northwestern que transforma dados numéricos em histórias escritas. Não demorou muito para que Quill estavisse sendo usado para fazer relatórios sobre jogos de beisebol para TV e outras mídias esportivas on-line e demonstrativos de lucros da empresa para clientes comoForbes.
O rápido sucessos do Quill também deu origem a manchetes próprias e o software foi visto por alguns como prova de que um software inteligente poderia substituir trabalhadores humanos. O CEO da Narrative Sciences, Stuart Frankel, diz que a publicidade, mesmo que parte dela tenha sido negativa, foi uma bênção. "Muita gente se sentiu ameaçado pelo que estávamos fazendo e tivemos muita visibilidade", diz ele. "Isso levou a muitas perguntas de diferentes setores da indústria e à evolução para um negócio diferente".
Agora, a Narrative Sciences está alugando seu software escritor para clientes financeiros, como T. Rowe Price, Credit Suisse e USAA para escrever relatórios mais detalhados e completos sobre o desempenho dos fundos de investimento que são, então, distribuídos aos investidores ou reguladores.
"Deixa de ser o trabalho de um pequeno exército de pessoas durante semanas e passa a ser apenas alguns segundos", diz Frankel. "Fazemos documentos de 10 a 15 páginas para alguns clientes financeiros".
Um investimento de In-Q-Tel, divisão de investimentos da CIA, levou a empresa a trabalhar a partir de várias agências de inteligência dos EUA. Questionado sobre esse trabalho, Frankel diz apenas que "os desafios da comunicação da comunidade de inteligência dos Estados Unidos são muito semelhantes aos de nossos outros clientes". Ao todo, hoje Quill produz milhões de palavras por dia.
O que o software produz pode ser impressionante para um software, mas não pode escrever sem alguns dados numéricos para inspiração. Ele realiza análises estatísticas nesses dados, à procura de eventos ou tendências significativas e se inspira em conhecimento sobre conceitos-chave como falência, lucro e receita e em como tais conceitos estão relacionados.
O parágrafo abaixo, retirado de um relatório de investimento, mostra que Quill pode escrever um texto aceitável para um documento desse tipo, mas ainda parece que foi escrito por um computador.
"O setor de energia foi o principal contribuinte para o desempenho relativo, liderado pela seleção de ações para equipamentos e serviços de empresas de energia. Em termos de contribuintes individuais, uma posição em equipamentos e serviços de energia a empresa Oceaneering International foi o maior contribuinte para os retornos. A seleção de ações também contribuíram para os resultados relativos no setor dos cuidados com a saúde. Posicionamento em equipamentos de saúde e na indústria de suprimentos ajudou mais".
Quill é programado com regras de escrita que utiliza para estruturar frases, parágrafos e páginas, diz Kristian Hammond, professor de ciência da computação na Universidade Northwestern e cientista-chefe da Narrative Science. "Nós sabemos como apresentar uma ideia, como não nos repetir, como resumir", diz ele.
As empresas também podem ajustar o estilo e uso da linguagem com base no que eles precisam que o Quill escreva. Ele pode dar ênfase ao positivo nos relatórios para marketing, ou detalhar exaustivamente em um relatório para fins regulatórios, por exemplo.
Quill também pode escolher uma “lente” para um texto específico. Ao escrever sobre esportes para um público que tende a gostar mais de um time em especial, por exemplo, Quill pode escrever uma história que suaviza o impacto de uma perda.
A Narrative Science não publica detalhes técnicos de como o Quill funciona. Mas Michael White, um professor adjunto na Universidade Estadual de Ohio, diz que a sua capacidade de refinar o ângulo de um relatório o diferencia de exemplos anteriores de tal software.
O que é conhecido como software de "geração de linguagem natural" tem sido um tema de pesquisa há anos, mas recentemente começou a mostrar mais potencial comercial, diz White. "Há uma consciência crescente de que grandes volumes de dados e visualizações não são realmente úteis se não puderem ser explicados e transformados em algo relevante", diz White. "Eu diria que finalmente chegou a hora para a geração de linguagem natural ter sucesso comercial".
Outra empresa que trabalham com a tecnologia é a Arria, uma empresa com sede no Reino Unido que teve origem em uma pesquisa da Universidade de Aberdeen, na Escócia. A startup de Pittsburgh chamada OnlyBoth, fundada no ano passado, planeja lançar seus primeiros softwares escritores mais adiante em 2015.
Todas essas empresas estão, por enquanto, focadas em atender empresas. Mas Hammond diz que, à medida que carros, aparelhos de saúde e eletrodomésticos se tornaram conectados à Internet, os gráficos simples e símbolos que eles usam para se comunicar com os seres humanos pode não ser suficiente. "A maioria das famílias não será capaz de usar a ciência de dados para tornar seus termostatos, carros e outros dados inteligíveis", diz Hammond. "Esta tecnologia vai ser uma voz que descreve tudo o que tem nos dados".

Texto em PDF:


Disponível em < http://www.technologyreview.com.br/read_article.aspx?id=46770 > Acesso dia 20 de janeiro de 2015. 

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