Ciência - Mundo Científico –
O que os países ricos estão fazendo para melhorar a educação?
Por BBC Brasil
19 de janeiro de 2015
A mudança mais popular
no grupo, que reúne majoritariamente países ricos e não inclui o Brasil, diz
respeito à preparação dos estudantes para o mercado de trabalho, voltado
principalmente para o ensino profissional e técnico.
Este tipo de mudança
tem forte impacto, segundo especialistas, na produtividade dos trabalhadores -
o que colabora para fortalecer a economia dos países.
A segunda reforma mais
popular envolveu melhorias no ambiente escolar, com foco principalmente na preparação
de professores.
A OCDE analisou
iniciativas adotadas nos últimos sete anos. Segundo a organização, ainda é
preciso analisar os resultados da maior parte destas políticas.
Embora os
pesquisadores ressaltem que as soluções dizem respeito a cada país e não podem
ser simplesmente copiadas para outras realidades, algumas ideias podem fornecer
material para o debate geral de como melhorar a educação.
Eis algumas delas
compiladas pela BBC Brasil.
1) Mercado de trabalho
ou continuidade dos estudos
Quase um terço (29%)
das reformas implementadas tiveram como objetivo preparar os estudantes tanto
para o mercado de trabalho como para continuar seus estudos. O foco principal
foram reformas nos sistemas nacionais de ensino profissional ou técnico.
Portugal, por exemplo,
criou uma estratégia com o objetivo de aumentar o número de jovens matriculados
no ensino profissional. Os cursos oferecidos são compatíveis com a demanda do mercado
de trabalho.
Outra inovação: estão
em teste programas de ensino profissional que começam mais cedo, a partir dos
13 anos.
Já a Dinamarca
reformou seu sistema de ensino profissional com foco na redução da desistência.
2) Melhorias no
ambiente das escolas
Reduzir o número dos
alunos por turma, implementar reformas curriculares e, principalmente,
capacitar professores foram o objetivo de 24% das reformas analisadas.
A Austrália criou um
instituto dedicado apenas ao aprendizado de professores, e a Holanda
desenvolveu um programa que visa a atrair os melhores estudantes para
faculdades de educação.
Já a França reformulou
o conteúdo e a estrutura de seus programas de treinamento de educadores,
criando escolas que aliam treinamento prático ao teórico.
3) Garantir qualidade
e equidade na educação
As reformas
implementadas pelos países da OCDE também tiveram como objetivo implementar
políticas para garantir que todos os cidadãos tenham acesso a um nível mínimo
de educação, independentemente de circustâncias pessoais ou sociais. Ações
deste tipo foram 16% das implementadas.
O Chile, por exemplo,
introduziu um sistema que proíbe que a seleção para escolas de ensino
fundamental tenha como critério renda ou performance. A regra também limita a
possibilidade de as escolas expulsarem alunos com resultados ruins.
Na Nova Zelândia,
foram implementadas estratégias para melhorar a educação dos maoris, população
nativa que representa cerca de um quarto dos habitantes do país. Entre as
iniciativas está um programa para engajar adolescentes com idades entre 14 e 18
anos na área de educação.
Na Inglaterra, um
programa concede fundos adicionais às escolas para que elas consigam manter nas
classes crianças em risco social. A ideia teve um impacto positivo.
4) Sistemas de avaliação
Sistemas de avaliação
são considerados importantes pela OCDE porque apontam áreas em que é preciso
melhorar. Implementar essas políticas, que visam a medir os resultados tanto
dos alunos quantos das escolas, responderam por 14% das reformas.
No México, um
instituto nacional de avaliação ganhou, em 2013, autonomia para desenvolver uma
estratégia de acompanhamento válida para todo o país. Padronizar as avaliações
facilita a comparação de resultados.
Na Itália, um projeto
piloto acabou sendo expandido devido a seu sucesso. O projeto permite que as
escolas decidam se serão avaliadas ou não. O processo envolve uma
auto-avaliação da escola e uma avaliação externa, que é usada para estabelecer
metas. Essas informações são divulgadas publicamente.
5) Reformas de
financiamento
Conseguir melhorar as
formas de financiar os sistemas de educação é um dos grandes desafios das
escolas. Incrementar o financiamento foi o objetivo principal de 12% das
medidas avaliadas.
Nos EUA, teve início
em 2009 o programa Race to the Top, que atrela o financiamento das escolas à
implementação de reformas e inovações na área de educação. Os Estados recebem
fundos com base em seus planos para o futuro e também na qualidade dos
professores, alunos e escolas. Eles precisam também ter competência para
processar dados e informações estatísticas de educação.
Na Alemanha, dentro de
um projeto criado para estimular a atividade econômica durante a crise
financeira, o governo federal deu apoio a investimentos de Estados e
comunidades em educação. Foram destinados 8,7 bilhões de euros (cerca de R$
26,5 bilhões) a áreas como educação infantil, estrutura escolar e universitária
e pesquisa.
6) Governança
A organização do
sistema educacional e a definição de uma política nacional de educação foram
foco das ações de 9% das reformas.
Ter uma estratégia
nacional é importante, de acordo com estudiosos, porque proporciona parâmetros
que devem ser seguidos nacionalmente.
Na Dinamarca, uma
reforma nas escolas públicas, possibilitada por um acordo que envolveu todos os
partidos políticos, foi feita para elevar expectativas, simplificar objetivos
curriculares e abrir escolas para as comunidades.
Já a Estônia
estabeleceu cinco metas para a educação no país. Entre elas está o uso de
tecnologia digital no processo de aprendizado e uma maior correspondência entre
o que é ensinado e as necessidades do mercado de trabalho.
Texto
em PDF:
Disponível
em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150116_ocde_educacao_lab
> Acesso dia 19 de janeiro de 2015.

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