Ciência -
Mundo Científico –
Quanto é preciso ter para estar entre o
1% mais rico do planeta?
Por BBC Brasil
20 de janeiro de 2015
Aproximadamente 295 mil brasileiros já fazem parte desse
grupo seleto, de acordo com dados de um outro estudo, do grupo financeiro
Credit Suisse, divulgado no fim do ano passado.
Segundo a Oxfam, o 1% da população mundial será dono de
mais de 50% das riquezas do planeta no ano de 2016.
Porém, na prática, fazer parte dessa camada não significa
viver uma vida entre jatinhos e mansões em diversos continentes.
É que, embora o patrimônio de R$ 2,1 milhões seja
inalcançável para a maioria dos habitantes do planeta, muitas pessoas que se
consideram de classe média em diversos países atingem essa cifra de ativos
devido ao preço dos imóveis que possuem.
Os "verdadeiros" multimilionários
representariam apenas 0,001% da população mundial, segundo os estudos.
Extremos
O estudo "Global Wealth Databook", do Credit
Suisse, apontou que há cerca de 35 milhões de pessoas no planeta com
patrimônios avaliados entre US$ 1 milhão (R$ 2,65 milhões) e US$ 50 milhões (R$
132 milhões).
Cerca de 15 milhões delas vivem na América do Norte; 11,7
milhões, na Europa e 6,7 milhões, na Ásia.
Já a parcela dos multimilionários (donos de mais de US$
50 milhões) engloba 128 mil pessoas ao redor do mundo. Na América Latina, o
Brasil é o país com a maior quantidade desses indivíduos: aproximadamente
1.900.
No ápice da riqueza global estariam 92 pessoas com
patrimônios superiores a US$ 1 bilhão (R$ 2,6 bilhões). Juntos, eles teriam
mais dinheiro que a metade mais pobre da humanidade.
Segundo o estudo da Credit Suisse, a metade mais pobre da
população têm patrimônio inferior a US$ 3.660 (cerca de R$ 9,6 mil) per capita.
"É incrível a quantidade de riqueza nas mãos de
0,001% (da população), por isso decidimos calcular o patrimônio desses
multimilionários", disse à BBC Mundo Nick Galasso, pesquisador da Oxfam
América.
'Aspirações'
Para o editor de economia da BBC, Robert Peston, o nível
de desigualdade que essas cifras refletem "é preocupante, e não apenas
para aqueles na base da pirâmide de riquezas".
"Uma das razões de preocupação é que as pessoas
pobres com aspirações de ascensão têm grandes incentivos para contrair níveis
excessivos de dívidas para manter seus estilos de vida, o que aumenta a
tendência da economia sofrer crises financeiras", diz Peston.
"Outra razão é que, em conjunto, os pobres gastam
mais que os ricos (porque um bilionário não costuma comprar mais que alguns
iates, e boa parte de sua fortuna fica guardada). Assim, o crescimento ocorre
de maneira mais rápida quando os recursos se distribuem de maneira mais igualitária",
segundo Peston.
Para a Oxfam, a atenção ao problema por parte dos
dirigentes políticos mundiais está aumentando. Mas ainda não há soluções à
vista.
"No último ano foram dadas muitas declarações de
líderes mundiais como Barack Obama e Christine Lagarde, do Fundo Monetário
Internacional, sobre o aumento da desigualdade. Mas não se viu muita ação e o
problema está piorando", disse Nick Galasso.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150119_mais_ricos_lk
> Acesso dia 21 de janeiro de 2015.

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