Ciência -
Mundo Científico –
Por que as universidades custam tão caro
nos EUA?
Por BBC Brasil
13 de fevereiro de 2015
Cursar uma universidade nos Estados
Unidos é mais caro do que em qualquer outro lugar do mundo.
Uma matrícula anual pode custar US$
50 mil (R$ 141 mil) em algumas universidades privadas americanas. Isso sem
contar acomodação, alimentação e material didático.
Mas será que um diploma de uma
universidade dos Estados Unidos vale tudo isso? O que explica que seja tão
caro?
Uma das faculdades americanas mais
caras do país fica perto do escritório da BBC em Washington. A George
Washington, ou GW, como é conhecida, dobrou o preço de sua matrícula na última
década.
O presidente da universidade na
época, Stephen Trachtenberg, investiu em dormitórios sofisticados, instalações
esportivas caras e aulas com a mais avançada tecnologia, em uma estratégia para
tornar a faculdade mais atraente.
Funcionou: quanto mais se gastou,
mais as matrículas aumentaram e mais jovens quiseram estudar ali.
Trachtenberg não se arrepende da
inflação no custo das matrículas. Ele argumenta que isso tem colocado os alunos
nos melhores empregos.
Se um estudante encontra um emprego
logo depois da graduação, ele diz, "então a universidade cumpriu seu
objetivo e o objetivo que a sociedade queria. Se eles podem pagar a dívida,
isso não é um problema", disse o ex-presidente da GW.
Mas se o aluno não vem de uma família
rica, essas dívidas podem ser enormes. O alto custo das matrículas cria uma clara
divisão entre os estudantes que têm e os que não têm dinheiro.
Sobrevivendo
Conversando com estudantes da GW, é
possível notar a dificuldade que eles têm para pagar as matrículas
universitárias. Cada um trabalha pelo menos meio período e ainda assim eles
estão acumulando dívidas.
Cindy Zhang cursa Relações
Internacionais e trabalha em dois empregos. Seus pais ajudam um pouco, mas ela
ainda têm prestações a pagar que somam US$ 10 mil (R$ 28 mil) por ano.
Shanil Jiwani atualmente deve US$ 60
mil (R$ 169 mil) e acredita que esse valor dobrará até sua graduação.
Os dias de Silvia Zenteno como
universitária estão prestes a acabar. Mesmo tendo recebido a ajuda máxima da
universidade e trabalhando 30 horas por semana, a estudante vai se formar com
uma dívida de US$ 40 mil (R$ 112 mil).
Por que sacrificar todo esse tempo e dinheiro para bancar
uma universidade nos Estados Unidos? Talvez porque os estudantes não tenham
muitas alternativas em terras americanas.
Emprego
"Quando estamos falando de carreira, de quanto
dinheiro você vai ganhar, seu custo com universidade é como um
investimento", disse Anthony Carnevale, diretor do Centro de Educação e
Força de Trabalho na Universidade de Georgetown.
Segundo ele, o fato de os americanos não contarem com a
ajuda de programas de proteção social, como muitos países da Europa, faz com
que os diplomas universitários dos Estados Unidos sejam mais
"valiosos" que os de outros países.
Dessa forma, paga-se muito pelo diploma de uma boa
universidade que possa resultar em um bom emprego e um salário suficiente para
amortecer a dívida contraída durante a universidade.
O ciclo vicioso de inflação não dá sinais
de esgotamento. A GW acaba de publicar o preço da matrícula para o próximo ano:
US$ 50.367 (R$ 142 mil), um aumento de 3,4% em relação ao ano passado.
O que poderia limitar a alta dos custos é uma instituição
maravilhosamente igualitária: a internet. Cada vez mais universidades
americanas estão oferecendo cursos virtuais gratuitos. Com eles, os alunos não
têm acesso físico às salas de aula nem aos campus modernos, mas ainda é
possível obter uma boa educação.
Se os custos das matrículas continuarem a subir na
velocidade atual, pode chegar o dia em que os estudantes americanos olhem para
os cursos online e achem que são um bom negócio.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150212_universidades_caras_eua_rm
> Acesso dia 14 de fevereiro de 2015.

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