Ciência -
Mundo Científico –
O milionário que vendeu tudo para
recomeçar do zero – e venceu outra vez
Por Live Science
05 de outubro de 2015
David Spencer-Percival nasceu em um
subúrbio de Londres e abandonou a escola aos 16 anos, porque queria ver o
mundo.
Quase três décadas depois, ele
começou não apenas um, mas dois negócios de recrutamento do zero e os
transformou em empreendimentos multimilionários em apenas um ano.
Em 2000, quando começou sua carreira
em recrutamento, Spencer-Percival, hoje com 44 anos, ajudou a criar a empresa
Huntress e a transformou em um negócio com receitas de 100 milhões de libras
(R$ 624 milhões) por ano.
Apesar de seu sucesso, menos de uma
década depois, ele abandonou seu salário de seis dígitos e vendeu todas as suas
posses, incluindo uma mansão do século 19 e suas coleções de automóveis
clássicos, de antiguidades e de arte – que contavam com obras do artista Damien
Hirst – para levantar fundos e começar um novo negócio.
Em 2010, ele criou a Spencer Ogden,
empresa especializada em recrutamento para o setor energético. Agora, essa
empresa também tem receitas na casa das 100 milhões de libras por ano,
escritórios em todo o mundo e emprega 400 funcionários e 900 prestadores de
serviço.
No ano passado, o negócio rendeu o
maior prêmio britânico para empresas, por sua contribuição às exportações do
país.
Vender tudo e abandonar um salário de
350 mil libras (cerca de R$ 2 milhões por ano) na Huntress foi
"emocionante e aterrorizante", segundo ele.
"Tive sucesso um tanto jovem e
comprei muitos 'brinquedos', mas isso nunca me satisfez. Eu cheguei a passar um
ano na Christie's (empresa de leilões) comprando antiguidades e, em uma semana,
tudo foi embora."
Me senti tão livre. Isso me permitiu
ser muito mais flexível. Quando você tem muitas coisas é complicado cuidar
delas, com essas mansões sempre há algo errado com o telhado ou o jardim."
'Eu não trabalho
com o fracasso'
Trabalhando na Huntress, ele não teve
um dia de folga durante sete ou oito anos, apesar de a companhia "ter
ganhado quase todos os prêmios disponíveis". "Pra ser honesto, eu
estava esgotado", afirma.
Por isso, Spencer-Percival deixou a
empresa e decidiu viajar pelos Estados Unidos durante três meses com sua
esposa, Bonita. Mas antes mesmo da viagem, o multimilionário Sir Peter Ogden,
fundador da empresa Computacenter – que vale cerca de 3 bilhões de libras –, já
o havia sondado sobre um novo negócio.
"Sir Peter Ogden me ligou e
disse: 'Vamos fazer alguma coisa, eu te apoio. Então eu fui (para as férias)
sabendo que tinha um plano de negócios. Era uma sensação tão maravilhosa – eu
não tinha nada além de um monte de dinheiro no banco."
Como já havia trabalhado com
recrutamento, o empresário sabia que havia necessidade deste tipo de serviço no
setor energético.
"Eu queria trabalhar só com
energia renovável, mas não é um mercado muito grande. Então expandimos para
todo tipo de energia: nuclear, gás, petróleo, elétrica e renovável. E deu certo
– foi simplesmente fenomenal", diz o empreendedor.
Ele diz que não ganhou um salário
sequer por dois anos, o que "pode acabar sendo muito caro" e que
construir a empresa foi amedrontador, já que "você sempre tem um fluxo de
caixa apertado, porque está crescendo muito rápido".
"Mesmo assim, eu tinha uma
confiança enorme no meu sucesso. Eu não trabalho com o fracasso", diz.
Por causa do crescimento da empresa,
ele diz que sua vida está "voltando a ser como era", com uma coleção
cada vez maior de carros clássicos e casas em Londres, no interior da
Inglaterra e em Ibiza, na Espanha.
Uma jaqueta para
Robbie Williams
A vida de Spencer-Percival hoje é bem
diferente do que era no começo de sua carreira. Quando saiu da universidade,
ele queria trabalhar em Londres, mas o banco em que trabalhava não queria
transferi-lo. "Eu trabalhava em vilarejos pequenos nesses bancos. Era tão
chato", diz.
"Aí eu fui trabalhar com moda.
Larguei tudo – para o horror dos meus pais. Não ganhava dinheiro, mas usava
roupas ótimas e ia às melhores festas", relembra.
Foi nesse período
que conheceu a esposa, Bonita, uma dançarina no Royal Ballet britânico que
também era consultora de moda da boy band britânica
Take That, muito famosa na época.
"Ela foi na loja em que eu
trabalhava e disse: 'essa jaqueta que você está usando vai dar em Robbie
Williams, posso pegá-la emprestada?'. Eu emprestei."
Depois de um tempo trabalhando com
moda, um amigo sugeriu que ele fosse trabalhar com recrutamento. Foi sua
segunda grande mudança de carreira.
Mesmo habituado aos desafios de
começar algo novo, Spencer-Percival diz que, pelo menos por enquanto, vai ficar
onde está.
"Acho que passaremos os próximos
três ou quatro anos dobrando o tamanho da empresa. Há muito potencial (para
crescer) porque é um mercado bem grande", afirma.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/150928_milionario_britanico_ps_cc
> Acesso dia 06 de outubro de 2015.

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