Ciência -
Mundo Científico –
Quarteto de diálogo
nacional da Tunísia vence Nobel da Paz 2015
Por G1
09 de outubro de 2015
O Quarteto de
Diálogo Nacional da Tunísia ganhou nesta sexta-feira (9) o Prêmio Nobel da Paz
de 2015, "por sua decisiva contribuição para a construção de uma
democracia pluralista no país durante a revolução de 2011", segundo o
comitê que entrega o prêmio.
O quarteto foi
formado em 2013, quando o processo de redemocratização do país estava correndo
risco de colapsar após assassinatos políticos e protestos se espalharem pelo
país.
As organizações dividirão os 8 milhões de coroas suecas (US$ 963 mil) concedidos pelo prêmio, que será entregue em 10 de dezembro em Oslo, na Noruega.
As organizações dividirão os 8 milhões de coroas suecas (US$ 963 mil) concedidos pelo prêmio, que será entregue em 10 de dezembro em Oslo, na Noruega.
Ele é composto
por quatro organizações: a União Geral Tunisiana do Trabalho (UGTT, um
sindicato), a União Tunisiana da Indústria, do Comércio e do Artesanato (Utica,
patronato), a Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia (ONAT) e a Liga Tunisiana
dos Direitos Humanos (LTDH).
Durante o
anúncio, o comitê do Nobel afirmou que o quarteto “estabeleceu uma alternativa,
um processo político pacífico em um período no qual o país estava à beira de
uma guerra civil”, e foi “instrumental ao permitir que a Tunísia, em um espaço
de alguns anos, estabelecesse um sistema de governo constitucional.”
Segundo o
comitê, sua formação garantiu “direitos fundamentais para toda a população, sem
distinção de gênero, convicção política ou religião", e seu trabalho permitiu
que os avanços alcançados durante a revolução não fossem perdidos.
As organizações
representam diferentes setores e valores da sociedade tunisiana. “Com essa
base, o quarteto exerceu seu papel de mediador e força motriz para promover o
desenvolvimento democrático pacífico na Tunísia com grande autoridade moral”,
disse o comitê do Nobel. Por isso, o prêmio foi dado ao quarteto em si, e não
às quatro organizações individuais.
O Nobel
ressaltou o papel essencial que o quarteto teve na transição da revolução até a
realização de eleições
democráticas e pacíficas na Tunísia em dezembro de 2014.
Reação dos
ganhadores
O chefe da UGTT disse que o prêmio é uma mensagem para a região sobre o poder da negociação e do diálogo e "uma homenagem aos mártires da democracia tunisiana".
O chefe da UGTT disse que o prêmio é uma mensagem para a região sobre o poder da negociação e do diálogo e "uma homenagem aos mártires da democracia tunisiana".
"Este
esforço feito por nossa juventude permitiu que o país virasse a página da
ditadura", acrescentou Houcine Abassi, líder do histórico sindicato.
Também é o
esforço "dos partidos políticos que aceitaram estar à mesa de negociações
para encontrar soluções para as crises políticas ocorridas no país",
acrescentou.
Revolução de
2011
A Revolução de Jasmim, como ficou conhecido o processo que atingiu a Tunísia entre 2010 e 2011, levou à queda do presidente Ben Ali, que ocupava o cargo desde 1987.
A Revolução de Jasmim, como ficou conhecido o processo que atingiu a Tunísia entre 2010 e 2011, levou à queda do presidente Ben Ali, que ocupava o cargo desde 1987.
Ela começou com
protestos populares após o suicídio de um vendedor ambulante, contra o regime
autoritário do presidente. As manifestações foram reprimidas violentamente, e
resultaram na derrubada do regime em 14 de janeiro de 2011.
A primeira
revolução do tipo no mundo árabe, pegou emprestado o nome da flor branca
perfumada símbolo da Tunísia e da pureza, da doçura de viver e da tolerância. A
queda do regime de Ben Ali na Tunísia abriu caminho para a Primavera Árabe em
outros países da região, como Egito, Líbia e Síria.
Em muitos
destes outros países, a luta pela democracia e os direitos humanos não se
desenvolveu e foi reprimida. Na Tunísia, entretanto, foi possível ver uma
transição democrática e uma vibrante sociedade civil que busca o respeito pelos
direitos humanos.
“O quarteto
pavimentou o caminho para um diálogo pacífico entre a população, os partidos
políticos e as autoridades, e ajudou a alcançar soluções baseadas no consenso
para diversos desafios entre as divisões políticas e religiosas", disse o
comitê.
Exemplo e
desafios
Kaci Kullmann Five, presidente do comitê do Nobel, disse esperar que o prêmio “inspire pessoas a verem que é possível trabalhar junto, que movimentos políticos islamistas e seculares conseguiram fazer isso na Tunísia, com a ajuda da sociedade civil, e que isso é do melhor interesse de todas as pessoas”.
Kaci Kullmann Five, presidente do comitê do Nobel, disse esperar que o prêmio “inspire pessoas a verem que é possível trabalhar junto, que movimentos políticos islamistas e seculares conseguiram fazer isso na Tunísia, com a ajuda da sociedade civil, e que isso é do melhor interesse de todas as pessoas”.
Para o Nobel, o
caminho que levou à queda de Ben Ali na Tunísia é “único”. “O exemplo da
Tunísia mostra que valor do diálogo e do senso de pertencimento nacional em uma
região marcada pelo conflito. A transição também mostra que a sociedade civil
pode ter um papel crucial na redemocratização de um país.”
A Tunísia ainda
enfrenta grandes desafios políticos, econômicos e de segurança – o comitê do
Nobel disse esperar que o prêmio ajude a manter o país no caminho da democracia
e seja uma inspiração para outros países no Oriente Médio, no Norte da África e
no restante do mundo. “Mais do que tudo, este prêmio quer ser um encorajamento
para os tunisianos, que apesar dos grandes desafios lançaram as bases para uma
fraternidade nacional.”
Repercussão
O presidente tunisiano, Béji Caïd Essebsi, afirmou que o Nobel da Paz consagra o caminho do consenso" escolhido por seu país para fazer a transição política durante a Primavera Árabe.
O presidente tunisiano, Béji Caïd Essebsi, afirmou que o Nobel da Paz consagra o caminho do consenso" escolhido por seu país para fazer a transição política durante a Primavera Árabe.
"Não é
apenas uma homenagem ao Quarteto (a origem do Diálogo Nacional em 2013), o
prêmio consagra o caminho que escolhemos, o de achar soluções
consensuais", declarou Essebsi em um vdeo postado no Facebook da
presidência.
O porta-voz das
Nações Unidas em Genebra elogiou o prêmio. "Felicito o Quarteto do fundo
do meu coração. Precisamos que a sociedade civil nos ajude a avançar nos
processos de paz", disse em entrevista coletiva Ahmad Fazwi. "Isto é
um exemplo brilhante. A Tunísia é um dos países árabes que o fez melhor desde a
chamada Primavera Árabe nessa parte do mundo. Por isso que parabéns também para
os tunisianos e para o governo da Tunísia", acrescentou.
A chefe da
diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, celebrou a premiação. “O
Nobel para o Quarteto do Diálogo Nacional tunisiano mostra o caminho para
resolver as crises na região: unidade nacional e democracia”, afirmou em sua
conta no Twitter.
O presidente
francês, François Hollande, disse que o prêmio "consagra o êxito da
transição democrática" na Tunísia.
Donald Tusk,
presidente do Conselho Europeu, felicitou o quarteto premiado, enquanto Martin
Schulz, presidente do Parlamento Europeu, disse que o prêmio era
"amplamente merecido".
A comissária
europeia de Comércio, Cecilia Malmstrom, que anunciou nesta semana uma viagem à
Tunísia no âmbito das negociações de um acordo comercial com a UE, estimou que
o prêmio era "bem merecido".
"O caminho
tunisiano em direção à democracia foi uma fonte de inspiração e esperança para
todos nós", disse Malmstrom à AFP.
Turistas
atacados
A Tunísia realizou em dezembro as primeiras eleições presidenciais democráticas de sua história, que deram a vitória a Beji Caid Essebsi, um antigo funcionário dos regimes de Habib Bourguiba e Zine El Abidine Ben Ali, e que prometeu virar a página do autoritarismo.
A Tunísia realizou em dezembro as primeiras eleições presidenciais democráticas de sua história, que deram a vitória a Beji Caid Essebsi, um antigo funcionário dos regimes de Habib Bourguiba e Zine El Abidine Ben Ali, e que prometeu virar a página do autoritarismo.
Mas o país, que
pode se gabar de uma transição exemplar, segue debilitado pelos atentados
islamitas.
Um atentado no
museu do Bardo, em março na capital, deixou 22 mortos, e três
meses depois, em junho, um ataque deixou 38 mortos em um hotel
frequentado por turistas estrangeiros em Sousse (leste). Os
dois atos foram reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).
Um deputado do
Nidaa Tounès, a primeira força política do país, sobreviveu na quinta-feira a
uma tentativa de assassinato em Sousse.
Últimos
ganhadores
2014: os vencedores do Nobel da Paz foram o indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay, "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação". A estudante do Paquistão se tornou a mais jovem ganhadora do prêmio.
2014: os vencedores do Nobel da Paz foram o indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay, "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação". A estudante do Paquistão se tornou a mais jovem ganhadora do prêmio.
2013: Organização para
a Proibição das Armas Químicas, entidade que supervisiona
destruição do arsenal químico na Síria em guerra.
2012: União Europeia
(UE), por ter contribuído para pacificar um continente devastado
por duas guerras mundiais.
2011: Ellen Johnson
Sirleaf, Leymah Gbowee (Libéria) e Tawakkol Karman (Iêmen), por
sua luta não violenta em favor da segurança das mulheres e seus direitos a
participar dos processos de paz.
2010: Liu Xiaobo
(China), dissidente detido, "por seus esforços duradouros e
não violentos em favor dos Direitos Humanos na China".
2009: Barack Obama
(Estados Unidos) "por seus esforços extraordinários
com o objetivo de reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os
povos".
2008: Martti Ahtisaari
(Finlândia) por suas numerosas mediações de paz em todo o
mundo.
2007: Al Gore (Estados
Unidos) e o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças
Climáticas (IPCC) da ONU por seus esforços para aumentar o conhecimento sobre
as mudanças climáticas.
2006: Muhammad Yunus
(Bangladesh) e seu banco especializado no microcrédito, o
Grameen Bank, porque "uma paz duradoura não pode ser obtida sem que uma
parte importante da população encontre a maneira de sair da pobreza".
Texto em PDF:
Disponível em < http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/10/grupo-da-tunisia-vence-nobel-da-paz-2015.html
> Acesso dia 09 de outubro de 2015.

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