
Aspectos técnicos e psicológicos da cobrança de pênalti.
Publicação em 31 de agosto de 2011.
O presente estudo demostra que pênalti não é uma questão de sorte ou azar, o objetivo é avaliar através de vários pesquisadores no mundo que o jogador tem vários aspectos relevantes no momento decisivo de uma cobrança de uma penalidade e questões psicológicas estão inserido diretos na performance técnica da cobrança da penalidade. A discussão é a competência de uma cobrança de pênalti para um maior índice de aproveitamento dos atletas. Contribuir com informações que possa colaborar no momento de uma cobrança de penalidade é importantíssimo e imprescindível a todos os profissionais do futebol que estão inseridos no contexto da alta performance.
O presente estudo demonstra aos caros leitores que pênalti não é uma questão de loteria, isto é, sorte ou azar como muitos que acompanham e trabalha no futebol pensam. Através de vários pesquisadores no mundo observa-se que apenas creditar a sorte a vitória ou a derrota a sua equipe é muito pouco para o futebol tão competitivo que é atualmente. O jogador tem que estar sempre bem preparado para situações indefinidas que acontece em uma partida de futebol.
"Eles devem ter controlo sobre a situação” ( CIÊNCIA HOJE, SD )
Tem uma máxima no mundo do futebol que o pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube ( time). É um ditado futebolista que sempre é concretizado nos momentos mais decisivos de uma partida de futebol como a cobrança de uma penalidade como para se dar uma vantagem a sua equipe ou o momento mais precioso da vitória necessária, a busca a próxima fase da competição ou um título em jogo. Muitos comentarista, jogadores ou a grande maioria da população em geral que acompanha futebol uns dizem que pênalti é loteria sorte ou azar, competência mas isto não basta para explicarmos o pênalti em si.
Raí ( ex-jogador de futebol e tetracampeão em 1994) deu a seguinte resposta caso fosse o último cobrador de pênalti na decisão da Copa dos EUA de 1994 contra a Itália:
"Pensaria: Já que tem que ser eu mesmo, que seja. Não teria como fugir. Tentaria me controlar emocionalmente, analisaria a parte técnica, o melhor lugar para chutar. E, aí, confiaria na sorte." (UNZELTE, 2002)
Lúcio Flavio meia do Clube de Regatas do Botafogo em 09/06/2008 após sem 100% de aproveitamento em cobranças de pênalti disse:
"...procuro me policiar para bater firme na bola. Quando isso acontece, é muito difícil não marcar o gol." ( ROTSTEIN, 2008 )
Carlos Alberto Parreira técnico da seleção brasileira após o título do Brasil nos pênaltis na Copa América de 2004 disse:
A ciência explica para se ter um pênalti perfeito os aspectos psicológicos devem ser considerados e os acontecimentos durante a partida também, o cansaço físico durante a partida do atleta em uma decisão é levado em consideração o fator psicológico ativação, estresse e ansiedade é sem dúvida marcante para o desempenho dos atletas nas cobranças de pênalti.
"Ativação é uma mistura de atividades fisiológicas e psicológicas em uma pessoa e refere-se as dimensões de intensidade de motivação e um determinado momento." ( WEINBER, 2001)
"Ansiedade é um estado emocional negativo caracterizado por nervosismo, preocupação e apreensão e associado com ativação ou agitação do corpo." ( WEINBER, 2001)
"Estresse é definido como um desequilíbrio substancial entre demanda ( física e/ ou psicológica) e a capacidade de resposta, sob condições em que a falta em satisfazer aquela demanda tem importantes conseqüências."( WEINBER, 2001).
No mundo competitivo do futebol as palavras estresse e futebol caminham de mão dadas e dificilmente para não usar o termo impossível vai ser diferente essa interligação pois para alguns atletas cobrar um pênalti em um momento decisivo e um distress algo negativo e para outro atletas é algo positivo como eustresse.
"Na literatura da Psicologia do Esporte, tradicionalmente o termo estresse é visto quase sempre como unidirecional, i.e., uma reação negativa denominada distress. De fato, algumas situações esportivas causam ou produzem três tipos de sintomas negativos: físicos ( aumento do batimento cardíaco, sudorese, respiração ofegante, músculos tensos, boca seca, etc.); mentais ( medo, ansiedade, inabilidade para se concentrar, dificuldade para tomar decisões, perda de controle etc.) e comportamentais ( falar rapidamente, maneirismos nervosos, como balançar os pés, etc.)." ( BARROS, 2004)
"... a literatura da Psicologia do Esporte mais atual mostra que há também um estresse positivo, denominado eustresse. Esse estress positivo prepara o corpo para a atividade explosiva, deixa o individuo alerta e estimulado fisiologicamente, ajudando-o a manter o foco, a atenção, a motivação, o entusiasmo e a conservar um alto nível de energia física. Em outras palavras, ele prepara o organismo do atleta para ótimo desempenho." ( BARROS, 2004)
Para muitos não se explica como o melhor jogador da sua equipe nos momentos decisivos falha como Roberto Baggio na final da copa do Mundo dos EUA em 1994 alguns jogadores enfrentam o momento da decisão como Eustress e para outros é Distres isso é extremamente particular vai da característica individual de cada atleta. Todos os jogadores para uma decisão de pênalti são exigidamente treinados mas a situação que envolve o atleta é outra. No treino não há torcida, não há pressão da torcida adversária e propriamente da tua que cria a expectativa do pênalti da sua equipe ser convertido para seu êxtase. Numa decisão há vários componentes diferentes há pressão da torcida adversária e da sua, pressão da imprensa, etc. São elementos totalmente diferentes para a execução da penalidade, por isso há uma grande diferença entre o treinamento em si e a performance na decisão de pênaltis. Um exemplo disso é o Marcio Santos zagueiro da seleção brasileira tetracampeã em 1994 nos treinamentos o aproveitamento quase 100% na decisão contra a Itália na final o nosso melhor batedor nos treinamentos perde e Romario que não treinava pênalti fez isso é a particularidade da decisão dos pênaltis, assim como Baresi zagueiro da seleção italiana e Roberto Baggio craque da Itália e um dos grande jogadores da história do futebol mundial que na sua carreira acertou quase 90% das cobranças inclusive em Copas do Mundo em 1994 contra a Nigéria fez, em 1998 na decisão contra a França fez e na decisão do título contra o Brasil errou.
"Em 19 anos de carreira, o jogador italiano Roberto Baggio cobrou 113 pênaltis. Converteu 101. Um aproveitamento de quase 90%. Em jogos do Campeonato Italiano, por exemplo, ele converteu 88,6% de suas cobranças. Nem mesmo Maradona (88,1%) foi tão eficiente na mesma competição. Baggio chegou a converter 16 pênaltis seguidos em certa ocasião. Mas, no dia em que ele mais precisava tirar proveito dessa sua habilidade, Baggio falhou. Perdeu a cobrança que mais precisava converter. Foi na final da Copa do Mundo dos Estados Unidos em 1994, contra o Brasil. A Itália perdeu o título depois do erro do italiano." ( AZZONI, 2002)
Pesquisadores israelenses, noruegueses e brasileiro em busca da resposta ideal fizeram teses em busca da formula do pênalti perfeito. Para os israelense a melhor cobrança é no meio do gol, os pesquisadores noruegueses cronometraram quanto tempo era gasto para a cobrança do pênalti após o apito do arbitro e quem demorou mais o índice de acerto foi maior. Já os pesquisadores brasileiros comandado por Dr. Ronald Ranvaud o Pênalti é uma ciência exata se for cobrado na devida localidade indicada no meio dos 4 retângulos superiores e com a velocidade exata de 80 Km/h dificilmente algum goleiro defenderá a cobrança. Para os pesquisadores holandeses Geir Jordet pesquisador holandês psicólogo da área de desportos da Universidade de Groningen na Holanda para um melhor êxito a quanto menos estresse melhor é o aproveitamento.
Pesquisadores israelenses em 23/03/2009:
"Após analisar 286 cobranças de pênalti feitas em campeonatos internacionais, psicólogos israelenses chegaram a uma conclusão incrível: na verdade, o melhor é chutar a bola no meio, pois em 93,7% das vezes o goleiro pula para os lados. Isso acontece porque ele é influenciado pelo que os cientistas chamam de “tendência à ação”: prefere tomar a iniciativa e pular, porque a cobrança e os xingamentos da torcida por tomar um gol sem ter saído do lugar serão maiores do que se ele tiver se esticado todo – mesmo que para o lado errado. “Os goleiros pulam demais”, concluem os pesquisadores no estudo, publicado pela Universidade Hebraica de Jerusalém. " ( REVISTA SUPER INTERESSANTE, 2009 )
Pesquisadores noruegueses em 16/10/2009:
"...psicólogos da Noruega que resolveram analisar não o lugar, mas o momento ideal de chutar a bola. Observaram pênaltis batidos por 296 jogadores em 366 jogos da Copa do Mundo, dos campeonatos europeus e o da UEFA e cronometraram quanto tempo depois do apito do juíz os jogadores davam cada chute na bola.
Descobriram que os apressadinhos erram mais. Quando o jogador bate o pênalti instantaneamente, menos de 5 frações de segundo depois do apito do juiz, o índice de acertos é baixo: 57%. Mas os que levavam mais de 1 segundo depois do sinal para chutar a bola, acertaram a rede mais de 80% das vezes.
Os pesquisadores da Escola de Ciência Esportiva de Oslo explicam: a culpa é do transtorno de auto-regulação. Um distúrbio emocional causado pela pressão do momento. Ou seja: o cara fica nervoso para “acabar logo com isso” e, na pressa, acaba chutando a bola de qualquer jeito." ( BLANCO, 2009).
Pesquisadores brasileiros em 26/06/2009:
. A localização do chute deve ser no meio dos 4 retângulos superiores, pois é um lugar difícil para o goleiro defender, mas não arriscado caso o cobrador erre um pouco na precisão.
. A velocidade acima de 80km/h garante que a bola chegue nesse ponto do gol antes do goleiro, mesmo o goleiro se antecipando em 500ms ao chute." . (RANVAUD, 2009)
. Pesquisadores holandeses em 23/01/2007:
. "Quanto menos stress, melhor
".... a equipe de Jordet analisou 41 jogos decididos nos penalties durante campeonatos do Mundo, campeonatos de futebol na Europa e também na América, entre 1976 e 2004. Em muitos desses jogos, um único remate poderia decidir a equipa vencedora.
... «Nas decisões por penalty, cada equipa tem direito a cinco tentativas. Na primeira delas, quando a pressão ainda é relativamente baixa, os chutos obtêm sucesso em 87% dos casos. Essa taxa, no entanto, começa a baixar e chega, por exemplo, a 73% no quarto remate, quando a emoção é mais alta».
Em situações de muito stress, como quando a perda daquela oportunidade representa a derrota, a porcentagem cai para 52%. Por outro lado, quando um remate certeiro garante a vitória, as hipóteses de sucesso sobem para 93%." (CIÊNCIA HOJE, SD)
Um exímio cobrador de pênalti na hora da partida tem que ter características psicológicas definidas como a confiança, a tranqüilidade e mentalmente preparado para o momento da partida que o exigir cobra o pênalti, por isso as base do treinamento tem que estar bem assimiladas mentalmente para que ocorra o sucesso em uma cobrança de pênalti. O ideal seria treinar conforme o ambiente que a equipe ira enfrentar no momento da decisão, podendo ser feito com som ambiente para que o atleta se familiarize mentalmente aquilo que ele enfrentara no momento decisivo.
“Os jogadores preparam-se fisicamente mas deixam de lado o aspecto psicológico” (CIÊNCIA HOJE, SD).
Deve-se deixar claro que com a evolução do futebol os goleiros também evoluíram e tem técnica próprias e especiais para defender as cobranças, tem treinador especifico de sua posição este o acompanha em treinamento e em partidas, com observações pertinentes, informações, levanto ao maior grau de exigência e uma performance ideal em busca do sucesso coletivo. O goleiro da Alemanha Jens Lehmann usufluiu dessas informações de seu treinador para se torna o astro da decisão de pênaltis nas quartas de finais da Copa do Mundo da Alemanha de 2006 entre Alemanha 1 x 1 Argentina, Penaltis 4 x 2, e Jens Lehmann pega duas cobrança pois recebeu antes das penalidades um pedaço de papel com informações dos batedores argentinos.
"O preparador de goleiros Andreas Kopke escreveu as informações mais importantes em um pedaço de papel...." ( FIFA, SD ).
Assim como os cobradores tem técnica próprias e especiais que tentam ludibriar os goleiros a nova técnica de bater o pênalti que não é tão nova assim a paradinha que foi inventada por Pelé. Algo que a FIFA estuda para por fim a essa técnica dos cobradores.
Como vimos, há varias situações que envolve o momento decisivo da cobrança dos pênaltis, que apenas tirar o peso da derrota, do fracasso em uma cobrança de pênalti das costa dos cobradores de penalidades é algo que a cada instante esta ficando evidente, a desculpa de loteria sorte ou azar ficará para a história. A ciência comprova a cada instante em vários estudos que o batedor eficiente é aquele que dentro de varias situações da partida tem a noção exata de todos os acontecimento da partida e no momento decisivo esta apto a decidir em favor de sua equipe com extrema eficiência e não foge das responsabilidades que nele são atribuídas. Contribuir com informações que possa colaborar no momento de uma cobrança de penalidade é importantíssimo e imprescindível a todos os profissionais do futebol que estão inseridos no contexto da alta performance.
AZZONI TALES. Futebol, uma mente brilhante. Revista Super Interessante, 176a, junho de 2002. Disponivel em:
< http://super.abril.com.br/esporte/futebol-mente-brilhante-443038.shtml > . Acesso dia 25 de agosto de 2009.
BARROS Leite de Turbilio, GUERRA Isabela.Ciência do futebol.manole.ano 2004.
BLANCO GISELA. A psicologia do Pênalti perfeito. Revista Super Interessante, 16 de outubro de 2009. Disponível em : < http://super.abril.com.br/blogs/superblog/203273_post.shtml > . Acesso dia 25 de Agosto de 2009.
BUENO RODRIGO. Brasil demostra competência nos penaltis . Follha de São Paulo, São Paulo, 27 de julho de 2004. Disponível em < http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u78500.shtml > . Acesso dia 25 de agosto de 2009.
CELSO UNZELTE. O jogador cerebral. Revista Super Interessante, 176a, junho de 2002. Disponível em : < http://super.abril.com.br/esporte/jogador-cerebral-443030.shtml >. Acesso dia 25 de agosto de 2009.
CIÊNCIA HOJE . Disponível em : < http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=17411&op=all > . Acesso dia 25 de Agosto de 2009.
DRUBSCKY Ricardo. O Universo tatico do futebol escola brasileira.editora health.ano 2003.
FEDERATION INTERNACIONAL DE FOOTBALL ASSOCIATION ( FIFA ) . Disponível em : < http://pt.fifa.com/classicfootball/matches/match=97410057/index.html > . Acesso dia 25 de agosto de 2009.
RANVAUD RONALD. O pênalti perfeito, World Press, 30 de junho de 2009 .
Disponível em : < http://openaltiperfeito.wordpress.com/ > . Acesso dia 25 de agosto de 2009
REVISTA SUPER INTERESSANTE. A ciência de bater o pênalti perfeito, 23 de março de 2009. Disponivel em : < http://super.abril.com.br/videos/conteudo_videos_430156.shtml > . Acesso dia 25 de agosto de 2009.
REVISTA VEJA. Disponível em : < http://veja.abril.com.br/141009/popup_copa.html > . Acesso dia 25 de agosto de 2009.
ROTSTEIN GUSTAVO. Cobrança firme é segredo de Lucio Flavio para converter pênaltis. Globo esporte . com , Rio de Janeiro, 09 de junho de 2008. Disponível em : < http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Botafogo/0,,MUL594791-9861,00-COBRANCA+FIRME+E+SEGREDO+DE+LUCIO+FLAVIO+PARA+CONVERTER+PENALTIS.html > . Acesso dia 25 de agosto de 2009.
WIKIPÉDIA. Pênalti . Disponível em : < http://pt.wikipedia.org/wiki/Pênalti > . Acesso dia 25 de agosto de 2009.
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