Ciência – Mundo Cientifico –
Descoberta abre caminho para
diagnóstico de câncer antes de tumor 'aparecer'
Por BBC Brasil
30 de novembro de 2012.
Cientistas britânicos descobriram uma proteína presente em
muitos tipos de câncer, o que poderia, no futuro, levar a um exame único capaz
de detectar várias modalidades diferentes da doença. A nova técnica deve
auxiliar ainda no diagnóstico precoce da doença.
O grupo, baseado no Instituto Gray de Oncologia e
Biologia da Radiação, relatou ao Instituto Nacional de Pesquisa de Câncer da
Grã-Bretanha ter identificado câncer de mama em ratos semanas antes de um
caroço inicial ser detectado.
A mesma proteína, chamada
gamma-H2AX, é encontrada em tumores de pulmão, pele, rins e bexiga e é
produzida como uma reação do organismo a DNA danificado.
De acordo com os cientistas, este
é um dos primeiros indícios de que uma célula está se tornando cancerígena.
Formação
de tumores
O estudo utilizou um anticorpo
que é o "parceiro perfeito" para a gamma-H2AX e capaz de procurá-la
no organismo.
O anticorpo recebeu então
pequenas quantidades de material radioativo, servindo como
"termômetro" para identificar a presença de câncer no organismo.
Caso os médicos identifiquem um
acúmulo de radiação num determinado ponto do corpo, há grandes chances de que
ali esteja o início da formação de um tumor.
Diagnóstico
precoce
A professora Katherine Vallis diz
que, nos ratos usados em laboratório, caroços só puderam ser sentidos quando as
cobaias já tinham cerca de 120 dias de idade, mas "nós detectamos mudanças
antes disso, entre 90 e cem dias – antes de um tumor ser clinicamente
aparente".
Ela disse à BBC que a proteína
gamma-H2AX era, em grande parte, um "fenômeno comum" e que
"seria um sonho" desenvolver um exame único para vários tipos de
câncer.
Estágio inicial
Embora a comunidade científica e
os pacientes que lutam contra a doença tendam a ver os estudos em torno da nova
técnica com muita esperança, eles ainda se encontram em um estágio bastante
preliminar.
"Esta pesquisa inicial
revela que rastrear essa molécula importante poderia nos permitir detectar
danos no DNA em todo o organismo. Se estudos mais aprofundados comprovarem
isso, a proteína poderia nos fornecer uma nova rota para detectar o câncer em
sua fase muito inicial, quando ainda há mais chances de tratá-lo com
sucesso", disse a cientista.
Julie Sharp, do instituto
britânico Cancer Research UK, avalia o estudo como um avanço.
"Esta pesquisa importante
revela que ter como alvo esta molécula-chave poderia nos fornecer uma rota
animadora por novos caminhos para detectar o câncer em um estágio inicial e
ajudar a aplicar radioterapia e monitorar seus efeitos sobre os tumores".
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