Ciência Mundo Cientifico –
Estudo sugere 'férias de remédios' contra
o câncer
Por BBC Brasil
10 de janeiro de 2013
A introdução de períodos
sem medicação em alguns tratamentos contra o câncer poderia manter os pacientes
vivos por mais tempo, segundo indica um novo estudo.
A
pesquisa, publicada na revista especializadaNature,
avaliou camundongos com melanoma (câncer de pele), que rapidamente se tornaram
resistentes aos tratamentos.
O estudo indicou que os
tumores também ficavam dependentes das drogas para sobreviver. A retirada do
tratamento levou os tumores a diminuírem de tamanho.
Os
especialistas dizem que a descoberta é animadora, mas dizem que são necessários
ainda mais estudos para saber se o mesmo se aplica a seres humanos.
A
equipe de cientistas da Universidade da Califórnia e do Hospital Universitário
de Zurique, na Suíça, investigava como as células de melanoma se tornavam
resistentes a uma droga, o vemurafenib.
A
droga pode reduzir o desenvolvimento de um tumor no curto prazo, mas ela logo
se torna ineficaz.
Dependência
Os
tumores ganhavam resistência ao mudar a composição química dentro da célula.
Porém os pesquisadores mostraram que o processo deixava a célula cancerígena dependente
da droga.
Quando
os camundongos pararam de receber o medicamento, os tumores começaram a
encolher.
Os cientistas usaram
esse conhecimento para testar uma nova forma de prescrever a droga. Em vez de
tomar a medicação todos os dias, os camundongos recebiam a droga por quatro
semanas, seguidas de duas semanas de "férias do remédio", antes de
começar o mesmo padrão novamente.
"Notavelmente,
a dosagem intermitente com vemurafenib prolongou a vida dos camundongos com
tumores de melanoma resistentes a drogas", observa Efim Guzik, professor
de biologia do câncer na Universidade da Califórnia.
"Ao
procurar entender os mecanismos de resistência à droga, também descobrimos uma
maneira de melhorar a durabilidade da resposta à droga", observa.
Custo-benefício
Para Mark Middleton,
diretor do Centro de Medicina Experimental de Câncer da ONG Cancer Research UK,
"os resultados sugerem uma maneira na qual esse importante novo tratamento
poderia ser capaz de aumentar os benefícios para os pacientes e suas famílias".
"Eles
também oferecem a possibilidade de tratamentos com melhor custo-benefício e com
menos efeitos colaterais, porque os pacientes poderiam passar algum tempo sem o
vemurafenib", diz.
Richard
Marais, do Instituto Paterson para Pesquisas sobre o Câncer, de Manchester, que
participou da descoberta do mecanismo de ação do vemurafenib, diz que os
resultados do novo estudo são "muito convincentes".
"Esse
novo estudo é animador, porque sugere uma forma de combater a evolução da
resistência à droga em pacientes de melanoma usando as drogas que já temos, em
vez de termos que desenvolver novas drogas", disse.
"Será
interessante ver se esses resultados de laboratório serão repetidos em testes
clínicos", afirma.
Marais
diz que é possível que o mesmo efeito seja verificado em outros tratamentos de
câncer.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130110_melanoma_pesquisa_droga_rw.shtml
>

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