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Nova
tecnologia permite limpar água residual de mineração
Por Discovery Brasil
28 de fevereiro de 2013
Ao longo dos últimos 468 anos, os
fazendeiros e agricultores que trabalham nas terras do Cerro Potosí, na
Bolívia, enfrentaram um sério problema: a exploração da prata e a poluição
provocada pelos resíduos dos minérios.
Os problemas ambientais causados pelo
pelos metais descartados no processo de mineração foram notícia durante anos.
Segundo cálculos de pesquisadores, a cada ano dezenas de minerais tóxicos são
despejados em cursos d´água da região, incluindo 161 toneladas de zinco, 157
toneladas de ferro e mais de duas toneladas de arsênico, em apenas uma área de
estudo.
A expectativa de vida dos mineiros é
de apenas 40 anos, a pobreza é elevada e está relacionada aos problemas
ambientais decorrentes da atividade mineradora. Os agricultores regam suas
plantações com a água contaminada dos minérios, já que as chuvas são escassas
nesta região árida.
A limpeza da águas residuais da
mineração é um grande desafio. Sistemas convencionais de tratamento costumam
utilizar produtos químicos industriais e eletricidade para realizar a
filtragem, inviáveis em um lugar pobre como Potosí.
A equipe de Robert Nairn, da
Universidade de Oklahoma, professor de Engenharia Ambiental e Diretor do Centro
de Restauração de Ecossistemas e Bacias, está mudando a situação. Segundo
artigo do Txchnologist, eles construíram um sistema de tratamento passivo, que
aproveita os mecanismos do entorno para limpar os resíduos da mineração.
O sistema funciona mediante a coleta
das águas residuais em pequenos tanques de filtragem revestidos de argila, cada
um com diferentes características para as diversas etapas do tratamento. A água
se desloca através de um sistema de declives, consumindo pouca ou nenhuma
eletricidade, que pode ser obtida por geração solar ou eólica.
“O mais importante é que estamos
promovendo processos naturais para fazer o trabalho, sem utilizar novos
produtos químicos”, relata Nairn. “É uma tentativa de combinar ecologia com
engenharia e design”, acrescenta.
Cada unidade do sistema separa
determinados metais dos efluentes da mina. Alguns tanques não contêm oxigênio,
outros, sim. Um deles, denominado biorreator de fluxo vertical, envia a água para
um recipiente com adubo orgânico, onde microorganismos consomem parte dos
poluentes. Outro, denominado drenagem anóxica de calcário, utiliza o mineral
para aumentar o PH e auxiliar a precipitação dos metais. Mangues artificiais
são o último passo do processo, filtrando os elementos sólidos para melhorar a
qualidade da água.
“Há uma série de mecanismos que
contribuem para a retenção de poluentes nesses estanques”, explica Nairn.
“Quando a água chega ao último tanque, passa de uma coloração alaranjada para
cor de lodo, e finalmente, torna-se transparente”.
Origem do projeto e
resultados
O sistema utilizado pela equipe de
Oklahoma foi desenvolvido ao longo das últimas décadas. Ele surgiu a partir da
crescente necessidade de acabar com os danos causados pela atividade
mineradora, seja contaminando lençóis freáticos ou cursos d´água na superfície.
“A tecnologia avançou
consideravelmente, a ponto de podermos identificar os mecanismos específicos
que precisamos desenvolver para viabilizar o processo”, explica Nairn.
Sua equipe instalou com sucesso o
sistema de tratamento passivo em seis projetos em andamento nos Estados Unidos.
Em Oklahoma, eles estão limpando águas residuais consideradas irremediavelmente
contaminadas pela mineração. O desenvolvimento e construção desse projeto
custou 1,2 milhões de dólares e permite processar 950 litros de água
contaminada por minuto.
O projeto de Potosí, cujo custo total
até o momento é de 75 mil dólares (projeto, engenharia e construção), ainda
está na fase de testes. Mas os resultados iniciais demonstram que a água
carregada com metais pesados que passa pelo sistema sai com concentrações
significativamente mais baixas e aceitáveis para a irrigação de plantações.
O sistema retém metais como
hidróxidos e sulfuretos, e deverá ser limpo em 20 ou 30 anos para que funcione
corretamente. “Sabemos que teremos que voltar, mas com esse sistema, Potosí
ganha várias décadas de tratamento de águas contaminadas a um custo baixo”,
conclui Nairn.
Texto em PDF:
Disponível em < http://noticias.discoverybrasil.uol.com.br/nova-tecnologia-permite-limpar-agua-residual-de-mineracao/
> Acesso dia 09 de maio de 2013.

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