quinta-feira, 27 de junho de 2013

Ciência – Mundo Cientifico - Imagens cerebrais podem revelar culpa


Ciência – Mundo Cientifico -

Imagens cerebrais podem revelar culpa
Por Discovery Brasil
07 de junho de 2013

Segundo os cientistas, em um futuro não muito distante, os tribunais irão inocentar ou condenar um réu com base em exames de ressonância magnética do cérebro.
As tecnologias de visualização cerebral avançaram tanto que hoje é possível inferir, por exemplo, se uma pessoa roubou um objeto através da análise de sua atividade neural. Mas quão confiável é a ciência? Ela deveria determinar o destino de um criminoso? Um painel de cientistas e juristas discutiu essas questões no último sábado, durante o Festival Mundial da Ciência, evento anual realizado em Nova York.
Um dos painéis se baseou em um documentário da PBS chamado “Brains on Trial with Alan Alda” (Cérebros em Julgamento com Alan Alda), moderado pelo próprio Alda , que deve estrear em setembro nos Estados Unidos.
A culpa no cérebro

A ressonância magnética funcional (fMRI) é uma das técnicas que promete determinar se uma pessoa é culpada ou inocente. O exame é capaz de detectar alterações no fluxo sanguíneo, que destacam quais partes do cérebro estão ativas.
Em um trecho do documentário, Alda participa de um experimento. Ele “rouba” um objeto de uma gaveta, um anel ou um relógio, sem contar ao pesquisador o que pegou. Alda então realiza uma ressonância magnética, e é instruído a mentir sobre o objeto roubado. Ao analisar as imagens, o pesquisador determina corretamente o que Alda roubou, porque quando mentiu, a atividade em parte de seu cérebro sofreu uma alteração e o “denunciou”.
A técnica permite que os cientistas detectem quando uma pessoa está mentindo com 70% a 90% de precisão, garante um dos participantes do painel, Anthony Wagner, psicólogo e neurocientista da Universidade de Stanford, em Palo Alto, Califórnia.
Em outros estudos, um sujeito submetido ao exame só precisou olhar uma foto (da cena de um crime, por exemplo) para que uma parte de seu cérebro “acendesse”, indicando que a imagem era familiar, disse Wagner. O problema de usar ressonâncias magnéticas como prova de culpabilidade é que o cérebro pode exibir padrões de atividade semelhantes se o indivíduo simplesmente imaginar que está cometendo o crime.
Escanear o cérebro de um acusado também suscita questionamentos sobre o direito à privacidade. “Que tipo de garantias jurídicas ou constitucionais impediria a polícia de realizar uma ressonância no cérebro de um suspeito?” argumentou Nita Farahany, professora de direito da Universidade de Duke, em Durham, Carolina do Norte. “Não há nada claro que proteja o suspeito de um crime desse tipo de coisa”, alertou Farahany.
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