Ciência – Mundo Cientifico -
Imagens cerebrais podem revelar culpa
Por Discovery Brasil
07 de junho de 2013
Segundo os cientistas, em um futuro não muito distante, os tribunais
irão inocentar ou condenar um réu com base em exames de ressonância magnética
do cérebro.
As tecnologias de visualização cerebral avançaram tanto que hoje é
possível inferir, por exemplo, se uma pessoa roubou um objeto através da
análise de sua atividade neural. Mas quão confiável é a ciência? Ela deveria
determinar o destino de um criminoso? Um painel de cientistas e juristas
discutiu essas questões no último sábado, durante o Festival Mundial da
Ciência, evento anual realizado em Nova York.
Um dos painéis se baseou em um documentário da PBS chamado “Brains on
Trial with Alan Alda” (Cérebros em Julgamento com Alan Alda), moderado pelo
próprio Alda , que deve estrear em setembro nos Estados Unidos.
A culpa no cérebro
A ressonância magnética funcional (fMRI) é uma das técnicas que promete
determinar se uma pessoa é culpada ou inocente. O exame é capaz de detectar
alterações no fluxo sanguíneo, que destacam quais partes do cérebro estão
ativas.
Em um trecho do documentário, Alda participa de um experimento. Ele
“rouba” um objeto de uma gaveta, um anel ou um relógio, sem contar ao
pesquisador o que pegou. Alda então realiza uma ressonância magnética, e é
instruído a mentir sobre o objeto roubado. Ao analisar as imagens, o
pesquisador determina corretamente o que Alda roubou, porque quando mentiu, a
atividade em parte de seu cérebro sofreu uma alteração e o “denunciou”.
A técnica permite que os cientistas detectem quando uma pessoa está
mentindo com 70% a 90% de precisão, garante um dos participantes do painel,
Anthony Wagner, psicólogo e neurocientista da Universidade de Stanford, em Palo
Alto, Califórnia.
Em outros estudos, um sujeito submetido ao exame só precisou olhar uma
foto (da cena de um crime, por exemplo) para que uma parte de seu cérebro
“acendesse”, indicando que a imagem era familiar, disse Wagner. O problema de
usar ressonâncias magnéticas como prova de culpabilidade é que o cérebro pode
exibir padrões de atividade semelhantes se o indivíduo simplesmente imaginar
que está cometendo o crime.
Escanear o cérebro de um acusado também suscita questionamentos sobre o
direito à privacidade. “Que tipo de garantias jurídicas ou constitucionais
impediria a polícia de realizar uma ressonância no cérebro de um suspeito?”
argumentou Nita Farahany, professora de direito da Universidade de Duke, em
Durham, Carolina do Norte. “Não há nada claro que proteja o suspeito de um
crime desse tipo de coisa”, alertou Farahany.
Texto em PDF:
Disponível em <
http://noticias.discoverybrasil.uol.com.br/imagens-cerebrais-podem-revelar-culpa/
> Acesso dia 27 de junho de 2013.

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