Ciência
– Mundo Cientifico –
Espionagem: como as
agências de inteligência coletam dados?
Por BBC Brasil
31 de outubro de 2013
Telefone da chanceler alemã Angela Merkel teria sido grampeado desde
2002
Documentos divulgados pelo ex-funcionário da inteligência americana
Edward Snowden sugerem que o governo americano realizou operações de vigilância
em massa em todo o mundo - incluindo em seus países aliados.
As acusações fizeram com que o comitê de inteligência do Senado
prometesse rever o modo como a maior organização de inteligência do país - a
Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) - realiza as operações.
Saiba o que se sabe até agora, de acordo com os documentos
"vazados", dos principais métodos utilizados pela agência.
1. Acesso a
informações de empresas de tecnologia
Em junho, os documentos divulgados Cliquepelo
jornal Washington Post revelaram como a NSA têm acesso a
diversas grandes empresas de tecnologia pela "porta dos fundos".
A agência tinha acesso aos servidores de nove empresas de internet,
incluindo Facebook, Google, Microsoft e Yahoo, para monitorar comunicações
online como parte de um programa de vigilância chamado Prism.
Os documentos afirmam que o projeto deu à NSA - e ao serviço de
inteligência britânico GCHQ - acesso a e-mails, chats, informações armazenadas,
chamadas de voz, transferências de arquivos e dados de redes sociais de
milhares de pessoas.
No entanto, as empresas negaram que tivessem oferecido "acesso
direto" a seus servidores para a agência.
Alguns especialistas também questionaram o poder real do Prism.
O professor de perícia digital Peter Sommer disse à BBC que o acesso
pode ser mais semelhante a uma "portinha de cachorro" do que a uma
"porta dos fundos" - de modo que as agências de inteligências
pudessem acessar os servidores somente para coletar inteligência a respeito de
um alvo específico.
Que dados o Prism poderia acessar?
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Empresa
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Que tipo de dados podiam ser coletados?
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Alguns sites da Microsoft coletam endereços de e-mail, nomes,
endereços de casa ou do trabalho e números de telefone. Alguns serviços
requerem que o usuário entre com seu e-mail e senha. A Microsoft também
recebe informações enviadas pelo navegador a respeito de sites visitados,
como endereço de IP, endereço do site e tempo da visita. A empresa também usa
cookies para conseguir mais informações sobre a visualização de páginas.
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O Yahoo coleta informações pessoais quando os usuários se cadastram
para produtos ou serviços, incluindo nome, endereço, data de nascimento,
código postal e profissão. A empresa também grava informações dos
computadores dos usuários, incluindo endereços de IP.
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Detalhes pessoais são exigidos para se cadastrar para contas do
Google, incluindo nome, e-mail e número de telefone. O e-mail do Google -
Gmail - armazena contatos de e-mail e sequências de e-mails (envios e
respostas) para casa conta, que tem capacidade de 10 gigabytes. Termos de
busca, endereços de IP, informações sobre chamadas telefônicas e cookies que
podem identificar cada conta também são armazenados, além de bate-papos - a
não ser que o usuário escolha a opção 'Desativar gravação'
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O Facebook exige informações pessoais no cadastro, como nome, e-mail,
data de nascimento e sexo. O site também coleta atualizações de status, fotos
ou vídeos compartilhados, mensagens em murais, comentários nos posts alheios,
mensagens privadas e bate-papos. Nomes de amigos e os detalhes de e-mail dos
perfis destes amigos também são gravados. Informações sobre a marcação dos
usuários em fotos e posts, assim como dados sobre localização e GPS são,
também, armazenadas.
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O Paltalk é um serviço de bate-papo e troca de mensagens de voz e de
vídeo. Os usuários devem fornecer informações como endereço de e-mail. A
empresa também usa cookies que ficam armazenados em navegadores, com o
objetivo de monitorar o comportamento dos usuários para fazer anúncios
dirigidos.
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O YouTube pertence ao Google e a empresa aplica os mesmos métodos de
coleta de dados que em outros serviços. Usuários que se conectem ao site por
suas contas do Google terão suas buscas, inscrições e listas de vídeos
armazenadas.
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O Skype é parte da Microsoft e seu serviço de mensagens substituiu o
MSN Messenger este ano. Os usuários devem fornecer informações pessoais
incluindo nome, nome de usuário e endereço quando se cadastram. Outras
informações de perfiz como idade, sexo e idioma preferido também são
armazenados. Listas de contatos também são gravadas, além de dados de
localização de telefones celulares. Mensagens instantâneas, de voz e de vídeo
geralmente são guardadas pelo Skype por um período de 30 a 90 dias, mas os
usuários podem optar por preservá-las por mais tempo.
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O AOL coleta informações pessoais dos usuários que se cadastram para
seus produtos e serviços, mas sua política de privacidade determina que os
usuários que escolham não se identificar por estes métodos são
"geralmente anônimos".
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Contas da Apple - as chamadas Apple IDs - são necessárias para
serviços como o iTunes ou para registrar produtos. Ao fazer o cadastro, os
usuários devem fornecer dados pessoais como nome, endereço, e-mail e número
de telefone. A empresa também coleta informações sobre as pessoas com as
quais os usuários da Apple compartilham conteúdo, incluindo seus nomes e
endereços de e-mail.
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2. Extração de
dados de cabos de fibra óptica
A espionagem causou desconforto em vários países e também entre os
americanos
Ainda no mês de junho, mais documentos do serviço de inteligência
britânico publicados pelo jornal The Guardian revelaram que a
Grã-Bretanha extraía dados de cabos de fibra óptica que transportam
comunicações globais e compartilhava as informações com a NSA.
Os documentos diziam que o GCHQ tinha acesso a 200 cabos de fibra
óptica, o que dava ao órgão a capacidade de monitorar até 600 milhões de
comunicações todos os dias.
As informações sobre o uso de internet e telefone eram supostamente
armazenadas por até 30 dias para que fossem filtradas e analisadas.
O GCHQ se recusou a comentar as acusações, mas disse que sua obediência
à lei era "escrupulosa".
Em outubro, o jornal italiano L'Espresso publicou
acusações de que a GCHQ e a NSA alvejaram três cabos submarinos que terminavam
na Itália, para interceptar dados comerciais e militares.
Os três cabos, na Sicília, se chamavam SeaMeWe3, SeaMeWe4 e Flag
Europe-Asia.
3. Escuta em
telefones
Em outubro, a mídia alemã afirmou que os Estados Unidos grampearam o
telefone da chanceler alemã Angela Merkel por mais de uma década - e que a
vigilância só acabou há alguns meses.
A revista Der Spiegel, também citando documentos revelados
por Edward Snowden, sugeriu que os Estados Unidos tinham acesso ao telefone de
Merkel desde 2002.
Os documentos citados pela revista dizem que uma unidade de escuta
ficava dentro da Embaixada americana em Berlim - e que operações semelhantes
aconteciam em outras 80 cidades pelo mundo.
Janelas fechadas, como na foto, poderiam ser usadas para espionagem
O jornalista investigativo Duncan Campbell Cliqueexplica em seu blog como
áreas com janelas fechadas, visíveis do lado de fora dos prédios oficiais
poderiam na verdade ter "janelas de rádio". Estas janelas externas -
feitas de um material que não conduz eletricidade - permite que sinais de rádio
passem e cheguem até os equipamentos de coleta e análise dentro dos edifícios.
A Der Spiegel disse que a natureza do monitoramento do
celular de Merkel não estava clara nos documentos divulgados.
No entanto, relatos posteriores afirmaram que dois dos telefones da
chanceler haviam sido grampeados - um telefone não criptografado usado para
ocasiões informais e um aparelho criptografado, usado para o trabalho.
Dilma entrou no alvo da espionagem americana; cerca de 35 líderes podem
ter sido espionado
De acordo com especialistas em segurança, os sistemas padrão de
criptografia dos telefones celulares podem ser vulneráveis porque seus sistemas
para "embaralhar os dados" são - em termos de software - separados
dos programas utilizados para criar mensagens.
Por isso, é possível que uma operação de escuta se posicione entre o
software que faz a mensagem e o sistema de criptografia em cada uma das pontas
da conversa - e tenha acesso à informação antes que ela seja criptografada ou
depois que é reordenada.
A criptografia de ponta a ponta, que agora é adotada por muitos,
preenche esta lacuna ao fazer com que o programa de mensagens faça o
"embaralhamento" diretamente. Além disso, muitos destes sistemas
compartilham dados em redes fechadas, então muitas mensagens não passam pela
internet e só são reordenadas quando chegam ao seu destinatário.
Além do telefone de Merkel, há acusações de que a NSA teria monitorado
milhares de chamadas telefônicas de cidadãos alemães e franceses, além de
e-mails e chamadas dos presidentes do México e do Brasil.
Reportagens do Guardian também afirmaram que a NSA
monitorou os telefones de 35 líderes mundiais depois de ter recebido seus
números de telefone de outro oficial do governo americano. Edward Snowden
também foi a fonte dos documentos que revelaram estas informações.
4. Espionagem
dirigida
Ainda em junho, a revista alemã Der Spiegel afirmou que
a NSA teria espionado também os escritórios da União Europeia (UE) nos Estados
Unidos e na Europa.
A revista disse ter visto documentos revelados por Snowden mostrando que
o país teria acesso a redes de computadores internas da União Europeia em
Washington e do escritório da ONU em Nova York.
O ex-colaborar da NSA, Edward Snowden, vazou os documentos que geraram
escândalo
Os documentos também sugeriam que a NSA realizou uma operação de escuta
em um edifício em Bruxelas, onde funcionam as sedes do Conselho de Ministros da
UE e o Conselho Europeu.
Pouco depois, em julho, o Guardian disse - citando como
fonte outros documentos "vazados"- que um total de 38 embaixadas e
missões foram "alvos" de operações de espionagem americanas.
Os países alvejados incluíam a França, a Itália e a Grécia, assim como
outros aliados não-europeus dos Estados Unidos como Japão, Coreia do Sul e
Índia.
Embaixadas e missões em Nova York e Washington também estariam sob
vigilância.
Os documentos, segundo o jornal, detalharam "uma variedade
extraordinária" de métodos de espionagem usados para interceptar
mensagens. Elas incluíam grampos, antenas especializadas e escutas.
Texto em PDF:
Disponível em <
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/10/131030_inteligencia_coleta_dados_cc.shtml
> Acesso dia 31 de outubro de 2013.










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