Ciência
– Mundo Cientifico –
Sangue eletrônico pode refrigerar computadores da próxima geração
Por Discovery Brasil
28 de outubro de 2013
Há quem diga que um smartphone oferece tanto poder
computacional quanto o que a NASA usou para levar os astronautas à Lua. Os
atuais chips de computador são incrivelmente poderosos, mas ainda não são tão
eficientes quanto poderiam ser. Quanto mais potente é o chip, mais calor ele
produz e mais energia é necessária para resfriá-lo e evitar que os componentes
internos queimem.
Segundo a BBC, a IBM está
pesquisando uma solução para isso. Uma ideia é resfriar os computadores do
mesmo modo que o corpo humano resfria o cérebro: por meio de um fluido, no
nosso caso, o sangue. Os pesquisadores da IBM, Patrick Ruch e Bruno Michel,
construíram um protótipo de chip que contém pequenos canais por onde circula um
fluido que resfria os componentes eletrônicos. Os cientistas acreditam que um
eletrólito semelhante ao de uma bateria pode funcionar bem na criação do
“sangue eletrônico”. Circulando por canais cada vez menores, o eletrólito
dissipa o calor e fornece energia para o chip ao passar por eletrodos que
captam os elétrons do fluido e os convertem em corrente elétrica.
A capacidade de dissipar calor
dessa forma permitiria aos cientistas incluir mais poder de processamento em um
espaço menor, ou criar chips maiores montados em uma estrutura em forma de
bloco. Isso não é possível atualmente por que os chips dependem de ar
circulando para se manterem resfriados, e empilhar um processador em cima de
outro produz muito calor.
O sistema de resfriamento a
‘sangue eletrônico’ também pode diminuir os custos de energia. O Google, por
exemplo, gasta milhões de dólares com a conta de ar condicionado para manter
seus datacenters refrigerados. A energia gasta nesse setor da empresa poderia
alimentar 200 mil residências por ano.
O sistema de resfriamento de Ruch
e Michel ainda tem um longo caminho a percorrer. Eles precisam encontrar um
eletrólito que funcione e fabricar chips com pequenos canais.
Além disso, o projeto é parte de
um esforço para fazer com que os computadores funcionem como o cérebro. O
cérebro é muito eficiente – a maior parte da energia é utilizada no
processamento de informação. Apenas uma pequena fração da energia que o cérebro
utiliza é convertida em calor, mas o mesmo não é verdadeiro nos computadores.
Para se ter uma ideia da
diferença, pense na competição entre o computador Watson, da IBM, e as pessoas
que participaram do programa de TV “Jeopardy!” Cada cérebro utilizou cerca de
20 watts apenas, enquanto o computador precisou de 84 quilowatts. Se quisermos
computadores menores que pensem como os seres humanos, faz sentido que eles
sejam resfriados de maneira tão eficiente quanto o cérebro.
Texto em PDF:
Disponível < http://noticias.discoverybrasil.uol.com.br/sangue-eletronico-refrigerar-computadores-proxima-geracao/
> Acesso dia 31 de outubro de 2013.

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