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A Turbina Eólica
que produz água potável
Por Super Interessante
08 de agosto de 2014
Não é mais preciso ler algumas daquelas histórias de ficção
apocalípticas em que povos lutam por água. A falta dela
já é uma realidade. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 40% da
população do planeta sofra com crises hídricas. E aqui no
Brasil, não precisamos ir muito longe. Há décadas a região Nordeste enfrenta a
miséria provocada pela seca e atualmente, até a capital do estado mais rico do
país, reza por chuva em seus reservatórios vazios.
De olho neste cenário – e inspirado pelos antigos moinhos
de vento de seu país natal, o holandês Piet Oosterling criou
uma solução inovadora: a turbina eólica que
produz água potável. E lógico, também gera energia.
Olhando no horizonte, a turbina parece igual a tantas
outras. A única diferença entre o modelo AW e outras tradicionais está
nos tanques de água acoplados na haste. Para
entender o funcionamento dela, o mais fácil é pensar no ar condicionado do
carro. Quando ele está ligado e é um dia quente, muitas vezes há água
condensada embaixo do aparelho. A tecnologia holandesa opera de forma similar.
Basicamente, o que a empresa Dutch Rainmaker desenvolveu
é uma tecnologia que utiliza energia eólica para extrair água a partir do ar. A
turbina aciona quatro compressores. Quando o ar é forçado através dos
permutadores de calor e resfriado, a água contida no ar se condensa e as gotas
que se formam são coletadas pelos tanques. Em seguida, a água é mineralizada e
pode ser utilizada para consumo humano ou para agricultura. “A turbina consegue
produzir uma média de 7.500 litros de água diariamente”, afirma Oosterling.
De acordo com a ONU, cada pessoa necessita de cerca de 110
litros de água por dia para atender necessidades de consumo e higiene. É bom
lembrar que na África subsaariana o consumo per capita é
de 10 a 20 litros por dia. No meio rural do semiárido nordestino este número
cai para 6 litros.
O funcionamento da turbina eólica que produz água potável
depende de condições climáticas apropriadas. Piet Oosterling explica qual seria
o ambiente ideal. “Os fatores mais importantes são vento e
temperatura. A temperatura deve estar entre 15 e 45 graus Celsius e é
necessária umidade mínima do ar de aproximadamente 20%”.
Entre as principais vantagens do sistema, se comparado ao
de dessalinização da água, por exemplo, são baixo custo operacional e emissão
zero de carbono. Como é autossuficiente, o
equipamento pode ser instalado em áreas remotas, já que não depende de água nem
eletricidade para funcionar. Se houver vento, até em desertos o AW pode ser
instalado.
O inventor acredita que as regiões que mais seriam
beneficiadas com a turbina que produz água potável seriam Oriente Médio,
África, Austrália, Índia, ilhas tropicais e subtropicais e alguns países do
continente americano, entre eles, o Brasil.
Já há duas turbinas em funcionamento. Uma na cidade de
Leeuwarden, na Holanda, e outra no Kuwait. A intenção da Agência de Proteção
Ambiental daquele país é ter futuramente 50 máquinas para irrigar zonas de
plantio.
A empresa produz ainda outro modelo de turbina eólica, a
WW. Esta foi desenvolvida para ser instalada em regiões onde há água, mas
poluída ou salgada (oceanos, lagoas, rios). Além da produção de energia, o
equipamento também purifica a água do local.
Invenções sustentáveis, que podem ser utilizadas ao redor
do mundo. Agora é só desejar “bons ventos” ao negócio holandês.
Texto em PDF:
Disponível em < http://super.abril.com.br/blogs/planeta/a-turbina-eolica-que-produz-agua-potavel/
> Acesso dia 11 de agosto de 2014.

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