Ciência -
Mundo Científico –
Pesquisa com células-tronco indica cura
para diabete tipo 1
Por Live Science
10 de outubro de 2014
Os esforços pela descoberta da cura
para a diabetes tipo 1 recentemente "deram um tremendo passo",
afirmaram cientistas da Universidade de Harvard.
A doença ocorre quando o sistema
imunológico do corpo humano destrói as células que controlam o nível de açúcar
no sangue. Uma equipe de Harvard usou células-tronco para produzir centenas de
milhares dessas células em laboratório.
Testes em ratos mostraram que elas
podem tratar a doença, procedimento que especialistas descreveram como
"potencialmente um grande avanço médico".
Células beta no pâncreas produzem
insulina para baixar os níveis de açúcar no sangue.
Mas o próprio sistema imunológico do
organismo pode se voltar contra as células beta, as destruindo e deixando a
pessoa com uma doença potencialmente fatal, pois o corpo passa a não conseguir
regular o nível de açúcar no sangue.
A doença tipo 1 é bem diferente da
diabetes tipo 2, que é de incidência mais comum por ser causada por um estilo
de vida pouco saudável.
Coquetel perfeito
A equipe de Harvard foi liderada pelo
professor Doug Melton, que começou sua busca pela cura da doença quando seu
filho foi diagnosticado há 23 anos. Mais tarde ele teve outra filha
diagnosticada com a doença.
Ele está tentando substituir
aproximadamente 150 milhões de células beta usando a tecnologia das
células-tronco.
O professor descobriu o coquetel
perfeito de agentes químicos para transformar células-tronco de embriões em
células beta funcionais.
Testes feitos com
ratos – cujos resultados foram publicados no jornal científicoCell – mostrou que
as células produzidas em laboratório poderiam produzir insulina e controlar os
níveis de açúcar no sangue por muitos meses.
"Foi gratificante saber que
podemos fazer algo que sempre acreditamos ser possível", disse Melton.
"Estamos atualmente a um passo pré-clínico para cruzar a linha de
chegada".
Seus filhos, porém, não se mostraram
tão impressionados: "Acredito que, como crianças, eles sempre pensaram que
como eu disse que faria isso, eu conseguiria".
Mas quando as células beta forem
injetadas em uma pessoa, elas também serão atacadas e destruídas pelo sistema
imunológica. Por isso, será necessário fazer mais pesquisas antes que o recurso
se transforme em uma cura.
Mudança de rumo
Sarah Johnson, da organização beneficente
JDRF, que financiou o estudo, disse à BBC: "Não é uma cura, é um grande
passo nesse caminho. É um tremendo passo à frente".
"Substituir as células que
produzem insulina e desligar a resposta imunológica que causa a diabetes é um
objetivo de longo prazo".
O professor Chris Mason, um cientista
especializado em células tronco da University College London afirmou: "A
descoberta científica é fazer células funcionais que curem um rato diabético,
mas uma descoberta médica maior é conseguir produzir células funcionais em uma
escala grande o suficiente para tratar todos os diabéticos".
"Se essa tecnologia de escala
provar que funciona tanto na área clínica quando na área de manufatura, o
impacto no tratamento de diabetes vai ser uma descoberta revolucionária
semelhante aos antibióticos em relação às infecções bacterianas."
A pesquisadora Gillian Morrison, da
Universidade de Edinburgh, concorda que isso "representa um avanço real no
campo".
"O próximo desafio importante
será encontrar maneiras de manter essas células dentro do corpo para que elas
se protejam da resposta do sistema imunológico para terem uma função de longo
prazo".
O Brasil é o quarto país do mundo em
número de portadores de diabetes, atrás de China, Índia e Estados Unidos, de
acordo com a International Diabetes Federation (IDF). Os números levam em conta
pessoas com idade entre 20 e 79 anos.
No ano passado, o Brasil tinha 13
milhões de portadores, número que poderá subir para 592 milhões em 2035, de
acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes. Para cada caso diagnosticado,
estima-se que haja um sem diagnóstico e, deste total, 1 milhão são crianças.
Texto em PDF:
Disponível em < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141009_diabete_pesquisa_lk
> Acesso dia 14 de outubro de 2014.

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